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Conduzir de chinelos ou descalço dá multa? O que diz realmente o Código da Estrada

O Código da Estrada não proíbe chinelos ao volante - mas pode haver multa e problemas com o seguro em caso de acidente. O que diz realmente a lei e o que fazer.

VxMag by VxMag
Abr 17, 2026
in Notícias
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Todos os verões volta a mesma conversa: conduzir de chinelos dá multa? A resposta curta é que depende — e a resposta longa é mais importante do que a maioria dos condutores pensa.

O Código da Estrada português não contém as palavras “chinelos”, “sandálias” ou “descalço”. Não há nenhum artigo que proíba explicitamente um tipo de calçado. Mas isso não significa que esteja completamente protegido.

O que a lei diz – sem nomear o calçado

O artigo 11.º do Código da Estrada estabelece que os condutores devem abster-se, durante a condução, de qualquer ato que possa prejudicar o exercício seguro da condução. É uma formulação ampla — e é precisamente essa amplitude que dá margem às autoridades para atuar.

Se um agente considerar que o calçado usado impediu uma manobra de emergência, pode enquadrar a situação como contraordenação leve, com coima entre 60 e 300 euros. Na prática, ser parado numa operação de rotina e estar de chinelos raramente resulta em multa. O risco real está noutro sítio.

O problema não é a multa – é o seguro

Se estiver envolvido num acidente e as autoridades registarem no auto que conduzia com calçado inadequado, a seguradora pode usar esse facto para dificultar o pagamento de indemnizações ou alegar negligência do condutor. Este é o cenário mais consequente — e o menos discutido nas conversas de café sobre o assunto.

Chinelos, descalço ou sandálias: qual o risco de cada um

Os chinelos de dedo são o caso mais problemático. Por não estarem presos ao calcanhar, podem dobrar-se, soltar-se ou deslizar para baixo dos pedais durante uma travagem de emergência. É um risco real, não uma hipótese teórica.

Conduzir descalço é, na maioria dos casos, considerado mais seguro do que conduzir com chinelos de dedo. O pé mantém sensibilidade total sobre os pedais e não há risco de o calçado se desprender. A ressalva é que a pressão exercida pelo pé descalço numa travagem brusca pode ser menos eficaz do que com uma sola rígida.

Sandálias com tira no calcanhar ficam presas ao pé e oferecem muito mais controlo do que os chinelos. O risco é baixo. Saltos altos e plataformas colocam o pé num ângulo que reduz a precisão nos pedais — outro caso em que a lei silenciosa do artigo 11.º pode ser invocada.

O conselho prático que resolve o problema

Guardar um par de sapatilhas leves no carro para trocar quando sai da praia é a solução mais simples. Se os chinelos forem mesmo a única opção disponível, é preferível conduzir descalço — desde que os chinelos fiquem guardados e não soltos no chão do condutor, onde podem deslizar para baixo dos pedais.

A lei não proíbe os chinelos. Mas num acidente, o detalhe do calçado pode transformar uma situação já difícil numa disputa com a seguradora. Não vale a pena o risco.

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