VortexMag
  • Cultura
  • Sociedade
  • História
  • Viagens
  • Gastronomia
  • Lifestyle
  • Natureza
No Result
View All Result
VortexMag
No Result
View All Result
Home Notícias

Do Minho a Lisboa: a história dos Vikings em Portugal

Em 844, navios vikings passaram 13 dias junto a Lisboa. Durante 200 anos, atacaram a costa portuguesa sem nunca deixar colónia. A história quase esquecida.

VxMag by VxMag
Jun 19, 2026
in Notícias
0
Vikings

Vikings

Partilhar no FacebookGuardar no Pinterest

ArtigosRelacionados

Como limpar e desinfetar o colchão: o guia completo para dormir melhor

Como limpar e desinfetar o colchão: o guia completo para dormir melhor

Ago 8, 2026
Porque a hortênsia muda de cor consoante o solo onde está plantada

Porque a hortênsia muda de cor consoante o solo onde está plantada

Ago 4, 2026
Oliveira em vaso: como cultivar esta árvore mediterrânica em casa ou na varanda

Oliveira em vaso: como cultivar esta árvore mediterrânica em casa ou na varanda

Ago 3, 2026
Boca-de-leão: como plantar e cuidar desta flor cheia de cor e caráter

Boca-de-leão: como plantar e cuidar desta flor cheia de cor e caráter

Ago 3, 2026

Em agosto de 844, navios vikings entraram pelo Tejo e ficaram ancorados junto a Lisboa durante treze dias. É um dos episódios mais intrigantes da presença nórdica na Península Ibérica — não pela violência, que presumivelmente existiu, mas pelo silêncio das fontes. Não sabemos se atacaram a cidade. Não sabemos se chegaram à margem sul. Sabemos apenas que estiveram lá, e depois partiram.

É um padrão que se repete em quase toda a história viking em Portugal: mais perguntas do que respostas.

Uma derrota na Corunha que os trouxe para sul

A incursão de 844 não começou em Lisboa. Os vikings tinham entrado pelo rio Garonne para pilhar a região de Toulouse, e depois seguiram para sul, atravessando o mar até à Galiza no início de Agosto.

Ramiro I, à frente do Reino das Astúrias, organizou a defesa — mas teve a sorte de uma tempestade ter destruído boa parte da frota nórdica antes mesmo do combate. Os sobreviventes foram derrotados perto do que se acredita ser a actual Corunha.

Derrotados e reduzidos, os vikings fizeram-se ao mar novamente — e chegaram a Lisboa cerca de três semanas depois. A demora é, em si, um mistério: a viagem ao longo da costa deveria durar poucos dias.

As teorias para explicar o atraso vão desde ataques menores ao longo do percurso até à possibilidade de a incursão na Galiza ter sido mais prolongada do que se pensa.

Sobre o número de embarcações, as fontes também discordam: uma carta enviada ao governador de Córdova fala em 54 navios nórdicos e 54 qaribs — embarcações árabes de menor porte, presumivelmente capturadas.

Outra fonte fala em 80 navios. Os números da época, como é habitual em relatos militares medievais, devem ser tratados com cepticismo.

Duzentos anos de presença intermitente

Depois de 844, os vikings só voltaram à Península em 858 — mas a partir daí as incursões tornaram-se mais regulares. Durante cerca de duzentos anos, com picos de actividade no final do século IX e final do século X, a costa portuguesa viveu sob ameaça intermitente de ataques nórdicos.

O mais violento de todos aconteceu em julho de 1015: os vikings entraram pelo Douro e pilharam a região até ao rio Ave durante nove meses consecutivos. Não foi um ataque relâmpago — foi quase um ano de presença, durante o qual fizeram numerosos reféns que depois venderam como escravos, seguindo um padrão económico que os vikings replicaram por toda a Europa.

O último ataque conhecido na Península aconteceu por volta de 1086, em Sada, no norte da Galiza. Pouco se sabe sobre este episódio final, além de que terá sido violento e desestabilizador para a região.

O que os vikings não deixaram

Ao contrário de Dublin, que os vikings ajudaram a fundar, não há evidência de nenhuma colónia viking na Península Ibérica. As fontes não confirmam, e nunca se encontraram vestígios arqueológicos que sugiram assentamento permanente.

A atividade limitou-se, na maior parte dos casos, à pirataria — ataques mais ou menos intensos, mais ou menos prolongados, mas sempre com a intenção de saquear e partir, não de colonizar.

É possível que tenham existido bases temporárias durante os ataques mais longos, como o de 1015, mas seriam estruturas abandonadas assim que a incursão terminasse.

As cidades que baixaram a guarda – e se arrependeram

Duzentos anos de ameaça intermitente deixaram marca na organização do território: populações deslocadas para o interior, fortificações costeiras reforçadas. Há relatos curiosos de cidades que, antes da era viking, tinham deitado abaixo parte das suas muralhas por sentirem segurança suficiente para isso — e que se arrependeram amargamente décadas depois, quando os ataques recomeçaram.

Mas, vista em perspectiva mais larga, a presença viking na Península teve um impacto relativamente limitado. A região já era um território de guerra constante antes dos vikings aparecerem — entre cristãos e muçulmanos, entre reinos cristãos rivais — e continuou a sê-lo depois de eles partirem.

O trauma específico das invasões nórdicas foi-se diluindo dentro de duas décadas, substituído por outras ameaças, outros conflitos, outras guerras que já estavam, de qualquer forma, em curso.

Os vikings passaram por Portugal. Não ficaram. E o que fizeram durante aqueles treze dias em Lisboa, em agosto de 844, continua por explicar.

Ajude-nos a chegar mais longe

Gosta do que lê na VortexMag? Adicione-nos como fonte preferida no Google e passe a ver mais dos nossos artigos nos seus resultados de pesquisa.

Adicionar como Fonte Preferida  →
VxMag

VxMag

A VxMag é a assinatura editorial coletiva da Vortex Magazine. Os artigos publicados sob este nome são escritos e revistos pela equipa da redação, que cobre sociedade, cultura, viagens, tecnologia e atualidade com o mesmo compromisso de rigor e verificação de factos.

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Porque alguns tubarões têm de nadar sempre para não se afogarem
Natureza

Porque alguns tubarões têm de nadar sempre para não se afogarem

by Fernando Alves
Ago 9, 2026
0

Existe uma ideia popular de que todos os tubarões têm de nadar continuamente, sob pena de morrerem. É um mito...

Read moreDetails
Bacalhau espiritual gratinado no forno: perfeito para reunir a família à mesa

Bacalhau espiritual gratinado no forno: perfeito para reunir a família à mesa

Ago 9, 2026
Porque os polvos têm três corações e sangue azul

Porque os polvos têm três corações e sangue azul

Ago 9, 2026
Como os salmões sabem voltar ao rio exato onde nasceram

Como os salmões sabem voltar ao rio exato onde nasceram

Ago 9, 2026
Porque os tomateiros deixam de dar frutos no verão mesmo com muitas flores

Porque os tomateiros deixam de dar frutos no verão mesmo com muitas flores

Ago 9, 2026
Porque o manjericão murcha depressa mesmo com rega regular

Porque o manjericão murcha depressa mesmo com rega regular

Ago 8, 2026

© 2024 Vortex Magazine

Mais infomação

  • Ficha Técnica
  • Quem somos
  • Política de privacidade
  • Estatuto editorial

Redes Sociais

No Result
View All Result
  • Cultura
  • Sociedade
  • História
  • Viagens
  • Gastronomia
  • Lifestyle
  • Natureza

© 2024 Vortex Magazine