Existe uma ideia popular de que todos os tubarões têm de nadar continuamente, sob pena de morrerem. É um mito — mas, como muitos mitos, nasceu de um facto real que afeta apenas algumas espécies muito específicas.
Duas formas diferentes de respirar debaixo de água
Tal como outros peixes, os tubarões respiram através de guelras, extraindo oxigénio da água que passa por elas. Mas nem todos usam o mesmo método para fazer essa água circular.
Alguns tubarões, como o tubarão-lixa, usam um método chamado bombeamento bucal: os músculos da boca puxam ativamente água para dentro, fazendo-a passar pelas guelras, mesmo com o animal completamente parado no fundo do oceano.
Quando nadar deixa de ser opção e passa a ser obrigação
Outros tubarões perderam, ao longo da evolução, a capacidade e a anatomia necessárias para o bombeamento bucal. Dependem exclusivamente da chamada ventilação por aríete: nadar com a boca aberta, forçando a água a entrar e a passar pelas guelras apenas pelo movimento para a frente.
Segundo a Live Science, estes tubarões — conhecidos como ventiladores obrigatórios por aríete — sufocariam, de facto, se parassem de nadar durante demasiado tempo. O grupo inclui espécies como o tubarão-branco, o tubarão-mako e o tubarão-baleia.
Uma minoria dentro do próprio grupo dos tubarões
Apesar do mito sugerir que isto se aplica a todos os tubarões, apenas cerca de 20 das mais de 400 espécies conhecidas pertencem a este grupo de ventiladores obrigatórios — a grande maioria dos tubarões consegue, de uma forma ou de outra, respirar mesmo parada.
Descansar sem parar de nadar
Mesmo estes tubarões que precisam de nadar continuamente conseguem, ainda assim, descansar de alguma forma: estudos sugerem que os movimentos de natação de um tubarão são coordenados pela espinal medula, e não apenas pelo cérebro, o que lhes permite continuar a nadar de forma quase automática enquanto o cérebro entra num estado de descanso mais profundo.
Há mesmo um local conhecido, nas grutas de Isla Mujeres, no México, onde tubarões destas espécies foram observados praticamente imóveis, aproveitando uma corrente de água naturalmente rica em oxigénio que faz o trabalho da natação por eles.
Um risco real em redes de pesca
Esta dependência da natação contínua tem uma consequência prática grave: tubarões deste grupo apanhados em redes de pesca, incapazes de nadar livremente, podem literalmente sufocar antes de conseguirem ser libertados — um dos motivos pelos quais estas espécies são particularmente vulneráveis à pesca acidental.
Uma adaptação extrema, não uma regra universal
A imagem do tubarão condenado a nadar para sempre não é um mito completo — é apenas a história de duas dezenas de espécies muito específicas, que trocaram flexibilidade por eficiência, numa das adaptações respiratórias mais extremas de todo o oceano.
Fontes:
- Must Sharks Keep Swimming to Stay Alive — Live Science:https://www.livescience.com/34777-sharks-keep-swimming-or-die.html
- Understanding Shark Gills: The Key to Their Underwater Survival — A-Z Animals:https://a-z-animals.com/animals/shark/understanding-shark-gills-the-key-to-their-underwater-survival/
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