O polvo tem três corações. Não é uma curiosidade exagerada — é biologia literal, e faz todo o sentido assim que se percebe o problema que resolve.
Uma equipa de três corações, cada um com o seu trabalho
Dois dos corações do polvo, chamados corações branquiais, dedicam-se exclusivamente a bombear sangue através das guelras, onde recolhe oxigénio da água.
O terceiro, o coração sistémico, recebe esse sangue já rico em oxigénio e distribui-o pelo resto do corpo — músculos, órgãos, e o sistema nervoso notavelmente complexo destes animais.
Porque o sangue é azul, e não vermelho
O sangue humano é vermelho porque transporta oxigénio através da hemoglobina, uma proteína baseada em ferro. O sangue do polvo usa, em vez disso, a hemocianina, uma proteína baseada em cobre — e é o cobre que dá ao sangue a sua cor azulada quando oxigenado.
Segundo o Museu de História Natural de Londres, esta proteína à base de cobre é mais eficiente do que a hemoglobina a transportar oxigénio em águas frias e com pouco oxigénio dissolvido, precisamente as condições em que muitas espécies de polvo vivem, incluindo profundidades de vários milhares de metros.
O coração que se desliga a nadar
Um dos detalhes mais surpreendentes: o coração sistémico do polvo para de bater sempre que o animal nada por propulsão a jato.
É por isso que os polvos preferem, sempre que possível, rastejar pelo fundo do oceano com os seus oito braços, em vez de nadar — nadar é uma atividade que os esgota rapidamente, precisamente porque interrompe temporariamente a distribuição de oxigénio pelo corpo.
Um sistema desenhado para um problema específico
Este sistema de três corações não é exclusivo dos polvos — partilham-no com as lulas e os chocos, os seus parentes mais próximos.
Segundo a Smithsonian Magazine, esta arquitetura circulatória evoluiu especificamente para sustentar corpos ativos, sem esqueleto rígido, com necessidades de oxigénio elevadas, em ambientes onde o oxigénio disponível é escasso — uma solução de engenharia biológica moldada por milhões de anos de vida no fundo do oceano.
Uma criatura tão estranha quanto eficiente
Três corações, sangue azul, um cérebro em forma de rosquinha e dois terços dos neurónios espalhados pelos próprios braços: o polvo continua a ser, sob praticamente qualquer critério, um dos animais mais bizarramente bem desenhados do planeta.
Fontes
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