Em Rio Maior, a mais de 30 quilómetros da costa e a 80 metros de altitude, existem salinas que não usam água do mar. As Salinas da Fonte da Bica produzem sal a partir de água que vem de uma mina de sal-gema nas profundezas da Serra dos Candeeiros — uma rocha salina formada há milhões de anos, dissolvida por uma corrente subterrânea que atravessa a serra.
A água resultante é sete vezes mais salgada do que a água do mar. É extraída de um poço e conduzida por canais até aos talhos — os compartimentos onde a evaporação e a cristalização transformam essa água densa em sal.
Uma história que remonta aos Templários
O documento mais antigo conhecido sobre as Salinas da Fonte da Bica é uma carta de 1177, em que um casal vende aos Templários parte das salinas. Os Templários eram uma ordem religiosa e militar com papel central na Reconquista cristã do território português.
Em 1319, D. Dinis entregou as salinas à Ordem de Cristo, sucessora dos Templários em Portugal depois da extinção da ordem original. No século XVII, as salinas passaram para as mãos do Conde de Vimioso, um nobre influente na corte portuguesa. Desde então, mudaram de proprietário várias vezes, sofrendo alterações e melhorias ao longo dos séculos sem nunca perder a função original.
Classificação e produção
As Salinas da Fonte da Bica são Imóvel de Interesse Público desde 1943. Hoje produzem cerca de duas toneladas de sal por ano — um volume modesto comparado com a produção industrial costeira, mas suficiente para sustentar uma atividade que combina valor turístico e económico para a região.
O sal produzido é usado na alimentação, na cosmética e em terapias — e é considerado um produto de qualidade e tradição que representa diretamente a identidade desta zona do interior.
O que se pode fazer numa visita
A visita guiada, conduzida por um marinheiro — assim se chamam os trabalhadores das salinas — explica a origem, o processo e as curiosidades do local com a familiaridade de quem trabalha ali todos os dias. Dura cerca de hora e meia e custa entre 2 e 4 euros por pessoa.
A loja das salinas vende sal tradicional ou aromatizado, mel, vinho, azeite, queijo e doces — produtos que complementam a experiência com a gastronomia da região.
Há espaço para piqueniques à sombra de oliveiras ou pinheiros, com mesas e bancos espalhados pelo local. Para quem procura relaxamento, existe massagem com sal como ingrediente principal, feita por terapeuta profissional, entre 10 e 20 euros.
E para quem prefere caminhar, há percursos sinalizados entre 1 e 5 quilómetros, com ou sem guia especializado, entre 1 e 3 euros por pessoa.
As Salinas da Fonte da Bica são um daqueles fenómenos geológicos que desafiam a intuição — sal produzido longe do mar, numa serra calcária, através de um processo que combina água subterrânea e séculos de tradição de extração.
A ligação aos Templários no século XII acrescenta uma camada histórica que poucas explorações de sal em Portugal conseguem reivindicar.






