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Provavelmente, uma das cascatas mais bonitas de Portugal

Provavelmente, uma das cascatas mais bonitas de Portugal
Provavelmente, uma das cascatas mais bonitas de Portugal

No rio Mau, em Silva Escura, freguesia de Sever do Vouga, a Cascata da Cabreia cai 25 metros sobre rocha, rodeada de vegetação luxuriante que cria a sensação de comunhão com a natureza que tantos visitantes descrevem ao chegar.

É uma das cascatas mais fotografadas de Portugal — e, perto dela, escondida na floresta, existe uma história industrial que poucos visitantes conhecem.

O complexo mineiro que empregou 700 pessoas

Nos trilhos que partem da área de lazer da Cabreia, um dos percursos passa por uma infraestrutura de mineração abandonada e um pequeno moinho de vento. Este complexo foi um dos centros mineiros mais importantes do Norte de Portugal, chegando a empregar mais de 700 pessoas. Foi descoberto oficialmente em 1850, mas há indícios de que a exploração remonta à época romana.

Em 1862 e 1863, há registo de protestos dos moradores contra o impacto da mineração na paisagem — um conflito entre indústria e ambiente que precede em mais de um século as preocupações ambientais que hoje parecem recentes.

O complexo só fechou definitivamente em 1958, provocando um problema social significativo na região: muitas famílias perderam o emprego e, como aconteceu noutras zonas do país nessa época, partiram para a França ou a Alemanha em busca de trabalho.

Hoje, as ruínas dessa exploração mineira ficam silenciosas dentro da floresta, visíveis para quem segue o trilho certo — um contraste evidente com a água límpida da cascata que continua a cair, indiferente à história industrial que aconteceu ao lado.

Os trilhos PR2 e as Minas do Braçal

A área de lazer de Cabreia tem painel informativo junto aos trilhos oficiais — Cabreia e Minas do Braçal, ambos código PR2, circulares, com três opções de distância: 3,5 km, 6,6 km e 10,5 km. Completar qualquer um demora entre duas e quatro horas, e todos estão bem sinalizados.

A área tem também mesas de piquenique e estruturas de apoio, num espaço que na maioria dos dias está praticamente vazio — fora dos fins de semana de verão, é possível ter a cascata praticamente para si.

Como chegar

A partir do Porto ou de Aveiro, o acesso faz-se de carro pela A25 em direção a Sever do Vouga, virando depois para Silva Escura/Cabreia. A área de lazer da Cabreia é o ponto de estacionamento a partir do qual se segue a pé pelos trilhos sinalizados até à cascata.

O Festival do Mirtilo

Final de junho ou início de julho é uma boa altura para combinar a visita à cascata com o Festival do Mirtilo, em Sever do Vouga — um evento com mais de dez anos de tradição, quatro dias de duração, barracas de comida de rua e concertos.

A biodiversidade do vale

A vegetação que envolve a cascata é uma galeria contínua de amieiros, freixos e borrazeira-preta, com um sub-bosque rico em fetos. O feto-real, a gilbardeira e o raríssimo feto-vaqueiro — espécie prioritária para conservação na Europa — sobrevivem aqui como relíquias dos bosques subtropicais que cobriram a região noutros tempos.

A lontra percorre quilómetros do rio Mau em busca de alimento, e a vaca-loura — um escaravelho protegido de grande porte — desenvolve-se nos carvalhais maduros da zona. Salamandra-lusitânica, tritão-de-ventre-laranja, lagarto-de-água e salamandra-de-pintas-amarelas completam um ecossistema húmido rico em endemismos ibéricos.

A Cascata da Cabreia tem a beleza natural que justifica a fama, mas o que a torna mais interessante é a camada escondida — um complexo mineiro que empregou centenas de pessoas, gerou conflito ambiental no século XIX, e fechou deixando ruínas que a floresta foi devagar engolindo. A água continua a cair há muito mais tempo do que a mina existiu.

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VxMag

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