No sul do distrito de Coimbra, Penela passa muitas vezes despercebida a quem viaja entre o litoral e o interior. É um erro que vale a pena corrigir. Esta vila pequena guarda um dos castelos mais cenográficos do Centro, uma villa romana com mosaicos únicos no país e uma aldeia de xisto escondida na serra.
E guarda ainda um queijo com denominação de origem, feito com leite de animais que pastam ervas aromáticas. Motivos não faltam para um fim de semana.
Um castelo que nasce da rocha
O castelo de Penela está literalmente assente sobre a rocha, com uma planta irregular que acompanha o terreno. As muralhas têm entre 7 e 19 metros de altura, e das doze torres originais restam quatro.
A história começa em 1087, quando o conde Sesnando Davides organizou o povoamento destas terras. D. Afonso Henriques deu foral à vila em 1137, e o castelo é Monumento Nacional desde 1910.
- A Porta da Traição, do início do século XIV, uma entrada em cotovelo aberta numa torre
- A Igreja de São Miguel, dentro do castelo, com uma Virgem com o Menino atribuída a João de Ruão
- A Igreja de Santa Eufémia, já documentada em 1254
- A vista sobre os vales em redor, a partir do alto das muralhas, e a cisterna subterrânea que abastecia o castelo.
Rabaçal, uma villa romana com mosaicos únicos
A cerca de 12 quilómetros a sul de Conímbriga, junto à antiga estrada romana que ligava Lisboa a Braga, fica a Villa Romana do Rabaçal. Foi construída provavelmente em meados do século IV e habitada até ao século V.
Segundo a Câmara Municipal de Penela, tem um peristilo octogonal, orientado para os quatro pontos cardeais, rodeado por 27 divisões. Os mosaicos mostram as estações do ano, carros de corrida e figuras femininas.
O município descreve-os como o único conjunto de mosaicos proto-bizantinos encontrado em Portugal. A villa foi classificada como Monumento Nacional em 2021. O Espaço-Museu abre de terça a domingo, mas as ruínas só se visitam com marcação.
Queijo Rabaçal, com sabor a serra
O Queijo Rabaçal DOP é feito com uma mistura de leite de ovelha e de cabra e cura pelo menos 20 dias. A área de produção abrange Penela e partes de concelhos vizinhos, como Condeixa-a-Nova, Soure, Ansião, Alvaiázere e Pombal.
Segundo a DGADR, o sabor característico está ligado à erva-de-Santa-Maria, uma espécie de tomilho silvestre que os animais comem nos pastos.
Ferraria de São João, a aldeia dos currais
No mesmo concelho fica Ferraria de São João, uma das Aldeias do Xisto. Rodeada por um bosque de sobreiros, conserva cerca de 200 currais de pedra, onde se guardava o gado. No início do século XX, a aldeia chegou a ter mais de mil cabras.
A estrada só chegou em 1961. Hoje, a aldeia é ponto de partida para caminhadas no Caminho do Xisto e tem um centro de BTT.
O erro mais comum é visitar só o castelo e seguir viagem. O Rabaçal e Ferraria completam o roteiro, e combinam bem com uma visita a Conímbriga, onde 80% da cidade ainda está por escavar.
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