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Mosteiro de Tibães: a joia barroca escondida nos arredores de Braga

Mosteiro de Tibães: a joia barroca escondida nos arredores de Braga
Mosteiro de Tibães: a joia barroca escondida nos arredores de Braga

Braga é frequentemente associada ao Santuário do Bom Jesus do Monte e à Sé de Braga, mas a poucos quilómetros do centro ergue-se um dos conjuntos monásticos mais relevantes do país: o Mosteiro de São Martinho de Tibães.

Antiga casa-mãe da Ordem de São Bento em Portugal e no Brasil, o monumento combina a exuberância do barroco com a serenidade de uma vasta cerca ajardinada.

Visitar Tibães é percorrer séculos de história beneditina, numa sucessão de claustros, capelas e salas que revelam o poder e a influência da ordem no mundo português.

A casa-mãe da Ordem de São Bento

Fundado no século XI, o mosteiro atingiu o seu auge nos séculos XVII e XVIII. Foi nesse período que se afirmou como centro difusor da arte barroca e rococó para o império português, financiando obras e formando artistas que marcaram igrejas e conventos de norte a sul.

A riqueza da comunidade era tal que circulava o dito popular segundo o qual “em Tibães, até os gatos comiam em pratos de prata” — expressão que ilustra a prosperidade da instituição.

O ponto central do conjunto é a Igreja de São Martinho, um dos interiores barrocos mais notáveis do país. A talha dourada cobre retábulos e sanefas, refletindo a luz que entra pelas janelas altas. No Coro Alto, o cadeiral esculpido e o órgão monumental testemunham a importância da música na liturgia beneditina.

Claustros e espaços de decisão

O mosteiro organiza-se em torno de quatro claustros, que estruturam a vida monástica. Entre eles destaca-se a Sala do Capítulo, espaço onde se tomavam decisões que influenciavam não apenas a comunidade local, mas também os mosteiros dependentes em Portugal e no Brasil.

Refeitório, cozinha, botica e dormitórios integram o percurso museológico atual, permitindo compreender o quotidiano dos monges e a organização interna da ordem.

A cerca: natureza e contemplação

Para além do edifício principal, a cerca murada estende-se por cerca de 40 hectares. Este espaço funcionava como área agrícola, mas também como lugar de retiro espiritual.

Fontes, tanques e um lago estruturam o jardim, onde a água assume papel central. Caminhos sombreados conduzem ao Escadório de São Bento, percurso monumental que sobe a encosta entre árvores centenárias.

No topo, a Capela de São Bento enquadra uma vista ampla sobre o vale, oferecendo um momento de contemplação silenciosa.

A diversidade botânica da cerca, aliada à integração da arquitetura na paisagem, faz desta área um dos espaços verdes históricos mais relevantes da região.

Do abandono à recuperação

Com a extinção das ordens religiosas em 1834, o mosteiro entrou em declínio. Ao longo do século XIX e parte do século XX, sofreu abandono e degradação.

A aquisição pelo Estado Português em 1986 marcou o início de um processo consistente de recuperação. A intervenção devolveu legibilidade aos espaços e permitiu criar um percurso interpretativo que articula arte, história e vida quotidiana.

Um refúgio cultural no Minho

Hoje, o Mosteiro de Tibães afirma-se como um dos monumentos mais significativos do património religioso português. A proximidade a Braga facilita a visita, mas o ambiente mantém-se resguardado do movimento urbano.

Entre talha dourada, claustros silenciosos e jardins extensos, Tibães revela uma dimensão menos visível da cidade. É um lugar onde a arte barroca e a paisagem se encontram, oferecendo uma experiência de contemplação que permanece rara no contexto contemporâneo.

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VxMag

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