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Queiriga: uma gruta secreta com uma lagoa azul em Portugal

As Minas de Queiriga, em Vila Nova de Paiva, têm uma lagoa azul natural criada pela extração de volfrâmio. No auge dos anos 1940, empregavam 500 operários, muitos estrangeiros.

VxMag by VxMag
Jun 19, 2026
in Notícias
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Minas de Queiriga

Minas de Queiriga (Rodolfo Ferreira)

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No concelho de Vila Nova de Paiva, as Minas de Queiriga têm uma lagoa interior com uma cor azul intensa que parece pertencer a outro lugar — uma gruta criada não pela natureza, mas pelo trabalho humano de décadas de extração mineira.

Espaços a céu aberto deixam entrar luz solar que se reflete na água, acentuando o tom azul que tornou este lugar conhecido entre amantes de geocaching e exploração subterrânea.

A aldeia de Queiriga, com 575 habitantes, é conhecida como a “aldeia mais francesa de Portugal” — quadruplica de população no verão com a chegada de emigrantes. Mas é cada vez mais reconhecida por outro motivo: estas minas, e a sua beleza inesperada.

Como o desmonte criou as galerias

As galerias de Queiriga não são túneis convencionais nem espaços a céu aberto puros — são o resultado de desmonte de rocha, um método de extração que cria grandes espaços sustentados por colunas naturais.

Os mineiros, ao procurarem o filão mineral, esculpiram colunas que hoje funcionam como suporte estrutural e como elemento estético, separando as várias galerias e criando uma estrutura que se assemelha a clarabóias naturais.

A busca do filão levou também a um desnível acentuado dentro das minas — um detalhe que torna a exploração mais exigente, mas que contribui para a sensação de estar a descer por um espaço que não foi pensado para visitas, apenas para extração.

Existem várias lagoas no interior, mas a maior é também a mais bonita — especialmente perto do meio-dia, quando a luz natural entra diretamente na gruta e intensifica a cor da água ao máximo.

Os cuidados a ter

O acesso não é difícil, mas pode ser perigoso sem os devidos cuidados — há zonas onde é fácil escorregar, e a falta de estruturas de apoio complica o acesso a partes mais remotas das minas. Não existe vigilância, o que exige atenção redobrada a zonas de possível deslizamento de pedras.

O apogeu mineiro dos anos 40

A freguesia de Queiriga inclui as povoações de Queiriga, Lousadela, Minas de Lagares e Quinta das Valas, numa área de 35 quilómetros quadrados entre as margens do Paiva e do Vouga.

Na primeira metade do século XX, a atividade mineira foi intensa, atingindo o auge na década de 1940, quando cerca de 500 operários trabalhavam no local — um número considerável numa época em que mão de obra especializada era difícil de encontrar.

Extraía-se sobretudo cassiterite (óxido de estanho) e volfrâmio — minerais estratégicos que, durante a Segunda Guerra Mundial, tiveram procura elevada e explicam parcialmente a intensidade da exploração nesta década.

Os britânicos, belgas e franceses

Entre os operários contavam-se dezenas de técnicos estrangeiros, principalmente britânicos, mas também belgas e franceses especializados em engenharia de minas. A comunidade mineira era pequena mas internacionalmente diversa — um detalhe pouco comum para uma aldeia do interior português desta época.

No limite norte da povoação ainda existem as chamadas “casas de britânico” — recuperadas para habitação permanente, mas mantendo características arquitetónicas originais: caixa de ar acessível entre o solo e o rés-do-chão, piso único, duas águas na cobertura e alpendres generosos na fachada principal.

O centro comunitário da época, onde a comunidade mineira se reunia nos tempos livres, era o coração social desta aldeia temporariamente internacional.

O futuro turístico

As minas estão desativadas, mas estão a ser estudadas para exploração turística pela Câmara Municipal de Vila Nova de Paiva em conjunto com uma empresa concessionária — um projeto que poderia transformar este segredo de geocachers num destino mais estruturado e acessível.

As Minas de Queiriga são um caso raro: um espaço industrial abandonado que se tornou, sem intenção, num dos cenários mais bonitos da região.

A lagoa azul não foi desenhada para impressionar — é o resultado acidental de décadas de procura por volfrâmio, transformado pelo tempo e pela luz numa imagem que atrai cada vez mais visitantes.

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