A 15 quilómetros de Vila Real, pela estrada EM313, a aldeia de Lamas de Olo fica a mil metros de altitude no Parque Natural do Alvão, com menos de 200 habitantes.
As casas de granito e telhados de colmo, a agricultura e a pastorícia ainda presentes no quotidiano, e o silêncio específico das aldeias de altitude preservam aqui uma forma de vida que o interior transmontano foi perdendo noutros lugares.
A viagem até lá é, por si só, parte da experiência — e vale a pena fazê-la com paragens ao longo do caminho.
O percurso desde Vila Real
Borbela, a menos de 10 minutos de Vila Real, é parte da mesma União de Freguesias que Lamas de Olo — uma aldeia pequena e pouco turística, mas com as suas estradinhas de pedra e um café onde parar antes de continuar.
A 750 metros de Borbela, pela EM313, existe um miradouro inaugurado em 2021, por iniciativa da freguesia de Lordelo como homenagem aos agricultores da região — vista panorâmica sobre Vila Real, boa para uma fotografia antes de entrar no parque.
Mais 700 metros à frente, o restaurante Encosta do Alvão serve petiscos tradicionais e cozido à portuguesa, de confeção caseira, aberto todos os dias exceto às terças-feiras — uma paragem de almoço sem desvio do caminho.
A Barragem Cimeira do Alvão
Já dentro do Parque Natural, a Barragem Cimeira do Alvão foi construída na década de 1940 para irrigar as zonas agrícolas próximas. Hoje é também um habitat com espécies variadas de fauna e flora — incluindo lontras. É possível pescar, praticar alguns desportos aquáticos e fazer piquenique junto à água.
No inverno, a altitude permite ocasionalmente ver neve — e no sol morno dos dias frios, o espelho de água tem uma serenidade diferente da do verão.
O Miradouro de Lamas de Olo
Pouco antes de chegar à aldeia, o miradouro revela a paisagem: as casas de granito espalham-se entre os terrenos agrícolas, num conjunto que mostra de imediato como a agricultura e a pastorícia ainda estruturam o dia a dia em Lamas de Olo. É o enquadramento certo para perceber o que está prestes a visitar.
A aldeia
Estacionar e caminhar pelas ruas estreitas é a única forma de ver Lamas de Olo como deve ser visto. A ligação entre o ser humano e a natureza que aqui se preservou não se observa do carro — está nas casas de granito, nos campos em volta, nos animais que ainda definem o ritmo diário da aldeia.
O que visitar nas redondezas
O Parque Natural do Alvão guarda outros pontos que merecem visita: a Cascata de Galegos da Serra, a Cascata de Bilhó, as Piocas de Cima e de Baixo, e as Fisgas de Ermelo — uma das quedas de água mais impressionantes do Norte de Portugal, com uma queda que os especialistas estimam entre 300 e 400 metros de desnível total.
Lamas de Olo não tem atrações no sentido convencional do turismo. Tem altitude, silêncio, granito, telhados de colmo e uma forma de vida agrícola que resistiu onde tantas outras aldeias transmontanas cederam.
É um lugar que pede pausa — para caminhar devagar, ouvir o que o vento faz nesta altitude, e perceber que há partes de Trás-os-Montes que o tempo ainda não apressou.







