VortexMag
  • Cultura
  • Sociedade
  • História
  • Viagens
  • Gastronomia
  • Lifestyle
  • Natureza
No Result
View All Result
VortexMag
No Result
View All Result
Home Notícias

David Melgueiro: o navegador português esquecido que desbravou o Ártico

David Melgueiro pode ter atravessado o Ártico em 1660, 200 anos antes de Nordenskiöld. A fonte é um espião francês. Os arquivos holandeses talvez guardem a prova.

VxMag by VxMag
Jul 9, 2026
in Notícias
0
David Melgueiro navegador

David Melgueiro

Partilhar no FacebookGuardar no Pinterest

ArtigosRelacionados

Porque as begónias não florescem mesmo à sombra certa

Porque as begónias não florescem mesmo à sombra certa

Ago 17, 2026
Como proteger o jardim de caracóis e lesmas sem venenos agressivos

Como proteger o jardim de caracóis e lesmas sem venenos agressivos

Ago 17, 2026
Pensões em Portugal garantidas até 2070, segundo a Comissão Europeia - mas valor da reforma desce

Pensões em Portugal garantidas até 2070, segundo a Comissão Europeia – mas valor da reforma desce

Ago 16, 2026
Porque a roseira tem folhas com manchas pretas

Porque a roseira tem folhas com manchas pretas

Ago 16, 2026

A Passagem do Nordeste — a rota marítima que liga o Pacífico ao Atlântico pelo Ártico, contornando a costa norte da Rússia — foi oficialmente atravessada pela primeira vez em 1878-1879, pelo sueco-finlandês Erik Nordenskiöld. É o que diz a história oficial.

Mas existe uma versão alternativa, sustentada por fontes indirectas e enredada em silêncios que podem ser estratégicos ou simplesmente lacunas de arquivo: que um navegador português chamado David Melgueiro fez o mesmo percurso entre 1660 e 1662 — mais de dois séculos antes — ao serviço da coroa holandesa, a bordo de uma nau chamada Pai Eterno.

Se for verdade, é um dos feitos mais extraordinários da história da navegação. Se não for, é uma das lendas mais bem construídas que o mar português produziu.

O que se sabe – e de onde vem

A principal fonte sobre a expedição de Melgueiro é o testemunho de um espião francês chamado La Madelène, que terá ouvido a história de um marinheiro que navegou com o português. É, por qualquer critério, uma cadeia de transmissão frágil: uma história contada por alguém que a ouviu de outro alguém que esteve lá.

O que La Madelène registou é o seguinte: Melgueiro zarpou de Tanegashima, no Japão, a 14 de março de 1660, transportando passageiros espanhóis e holandeses e riquezas orientais. Em vez de seguir as rotas habituais — pelo Índico e contornando África, ou pelo Pacífico em direcção à América — escolheu o norte.

Navegou pelo estreito de Anian, que é o actual estreito de Bering, entrou no Oceano Glacial Ártico, chegou a latitudes de 84 graus norte, passou entre Spitsbergen e a Gronelândia, desceu ao longo da Europa, parou na Holanda, e embarcou depois para o Porto.

A viagem durou dois anos.

A explicação para a possibilidade física desta rota seria um ano excepcionalmente quente que teria aberto temporariamente as águas normalmente geladas — uma janela de oportunidade que outros navegadores da mesma época, como Willem Barents e Vitus Bering, não encontraram e pagaram com a vida.

O silêncio que talvez seja estratégico

A questão óbvia é: se isto aconteceu, porque é que ninguém sabe?

A resposta mais plausível é o segredo comercial. Os holandeses, que controlavam algumas das rotas marítimas mais lucrativas do século XVII, tinham interesse óbvio em não publicitar uma passagem alternativa que podia ser usada por concorrentes.

Uma rota ártica entre o Japão e a Europa cortava completamente as ameaças que existiam nas rotas do sul — piratas, navios inimigos, o controlo português e espanhol do Índico e do Atlântico sul.

Acredita-se que a chancelaria holandesa e a Biblioteca de Paris guardem documentos que mencionam a expedição. Se existem, não foram tornados públicos de forma conclusiva.

Os outros que tentaram e não chegaram

David Melgueiro não foi o primeiro a tentar esta rota. Outro português, João Martins, tentara a mesma travessia em 1585, transportando D. Lourenço Maldonado, mas foi obrigado a regressar a Lisboa por uma tempestade. Barents morreu nas suas tentativas. Bering também.

A rota ártica era o tipo de desafio que a época da exploração marítima tratava como limite absoluto — não apenas difícil, mas provavelmente impossível.

O que tornaria Melgueiro excepcional, se o relato de La Madelène for fiel, não é apenas ter conseguido onde outros falharam. É ter conseguido numa época em que as tecnologias de navegação do século XVII tornavam a empresa ainda mais improvável do que nos séculos seguintes.

O que ficou

O nome de Melgueiro está numa rua de Lisboa. Durante o Estado Novo, o maior arrastão bacalhoeiro português lançado ao mar em 1951 foi baptizado com o seu nome — e protagonizou, por ironia ou por símbolo, a maior captura de bacalhau registada na época. No século XXI, surgiu uma associação dedicada a honrar a sua memória e a alertar para os desafios ambientais dos oceanos árticos.

A história de David Melgueiro continua sem resolução. Não há prova documental directa da viagem, não há diário de bordo, não há carta náutica traçada pela sua mão. Há um relato de segunda mão registado por um espião francês, e há o silêncio de arquivos que podem ou não guardar o que falta.

O Ártico que Melgueiro terá atravessado em 1660 está hoje a derreter mais depressa do que em qualquer momento dos últimos milénios. A Passagem do Nordeste, que durante séculos era navegável apenas em janelas excepcionais, começa a abrir-se de forma regular.

A rota que pode ter sido o segredo comercial mais bem guardado do século XVII está a tornar-se, pela razão errada, cada vez mais acessível.

Ajude-nos a chegar mais longe

Gosta do que lê na VortexMag? Adicione-nos como fonte preferida no Google e passe a ver mais dos nossos artigos nos seus resultados de pesquisa.

Adicionar como Fonte Preferida  →
VxMag

VxMag

A VxMag é a assinatura editorial coletiva da Vortex Magazine. Os artigos publicados sob este nome são escritos e revistos pela equipa da redação, que cobre sociedade, cultura, viagens, tecnologia e atualidade com o mesmo compromisso de rigor e verificação de factos.

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Como limpar o micro-ondas sem esforço, com vapor de água e limão
Limpeza

Como limpar o micro-ondas sem esforço, com vapor de água e limão

by VxMag
Ago 23, 2026
0

Salpicos secos de comida colados às paredes do micro-ondas parecem exigir esfrega e produtos fortes — mas o truque mais...

Read moreDetails
Quando e como podar as roseiras para florescerem mais

Quando e como podar as roseiras para florescerem mais

Ago 23, 2026
Pudim Molotof: receita clássica de um doce que nunca sai de moda

Pudim Molotof: receita clássica de um doce que nunca sai de moda

Ago 23, 2026
Fatias de Tomar: a receita do doce conventual feito só com gemas

Fatias de Tomar: a receita do doce conventual feito só com gemas

Ago 23, 2026
Dom Rodrigo: a receita do doce algarvio de fios de ovos e amêndoa

Dom Rodrigo: a receita do doce algarvio de fios de ovos e amêndoa

Ago 23, 2026
Porque as folhas das plantas de interior ficam amarelas

Porque as folhas das plantas de interior ficam amarelas

Ago 23, 2026

© 2024 Vortex Magazine

Mais infomação

  • Ficha Técnica
  • Quem somos
  • Política de privacidade
  • Estatuto editorial

Redes Sociais

No Result
View All Result
  • Cultura
  • Sociedade
  • História
  • Viagens
  • Gastronomia
  • Lifestyle
  • Natureza

© 2024 Vortex Magazine