Na Serra da Estrela, a quase 1500 metros de altitude, o Covão da Ametade é uma depressão mal drenada formada num antigo covão glaciar — o lugar onde o rio Zêzere começa a alargar e a ganhar o leito que o tornará num dos rios mais importantes do país.
Ainda não é tão massificado quanto outros pontos da serra, embora a procura tenha vindo a crescer nos últimos anos.
As bétulas que dominam a vegetação em redor mudam radicalmente de aspeto ao longo do ano — verde intenso na primavera e verão, amarelo e vermelho no outono, e no inverno, quando perdem as folhas e a neve cobre tudo, uma pequena ponte de madeira sobre o rio destaca-se contra a brancura geral, criando uma das imagens mais fotografadas da Serra da Estrela.
As três formações rochosas
A paisagem do Covão da Ametade é dominada por três grandes formações típicas da serra: o Cântaro Raso, o Cântaro Gordo e o Cântaro Magro — rochas graníticas esculpidas pela ação glaciar há milhares de anos, que conferem ao local uma identidade visual imediatamente reconhecível.
Como chegar
Os trilhos até ao Covão da Ametade — a Rota do Glaciar e a Rota do Maciço Central — têm dificuldade elevada, mas a paisagem compensa o esforço de quem os percorre.
É possível visitar o local em praticamente todas as épocas do ano, exceto em dias de inverno com neve suficientemente forte para obrigar ao corte das estradas de acesso.
O que se pode fazer no local
O Covão da Ametade tem estruturas de apoio que tornam a permanência mais confortável — é possível acampar, fazer piquenique, ou simplesmente passar tempo a observar a paisagem.
É um destino popular para passeios românticos, para fotógrafos em busca de composições marcantes, e para caminhantes e montanhistas que usam o local como ponto de partida para explorações mais ambiciosas.
O Vale Glaciar do Zêzere
Logo a seguir ao Covão começa o Vale Glaciar do Zêzere — um dos maiores vales deste tipo na Europa. A melhor forma de o explorar é pela Rota das Faias, especialmente recomendada durante o outono, quando as faias mudam de cor e transformam o vale numa paisagem dramaticamente diferente da que se vê no resto do ano.
Aldeias e gastronomia nas redondezas
A poucos minutos ficam Unhais da Serra, Cortes do Meio e Loriga — aldeias da Serra da Estrela com identidade própria. Manteigas e Covilhã, relativamente próximas, são pontos ideais para descansar e desfrutar da gastronomia da região — carnes, fumeiro, e o famoso Queijo da Serra, produzido de forma tradicional há centenas de anos.
Um ponto de partida para a serra inteira
O Covão da Ametade funciona como base para explorar formações rochosas, aldeias tradicionais e praias fluviais refrescantes nos dias de calor. É também uma das melhores zonas do país para escalada e alpinismo, com múltiplos trilhos que partem ou passam por aqui.
Não é por acaso que o Covão da Ametade é considerado o coração da Serra da Estrela — é aqui que nasce o Zêzere, um dos rios mais importantes de Portugal, e é a partir daqui que se acede a algumas das paisagens mais marcantes de toda a serra. É um lugar que muda completamente de carácter ao longo do ano, e que por isso vale a pena visitar mais do que uma vez.







