No concelho de Góis, Aigra Nova é uma das quatro aldeias da rede das Aldeias do Xisto, com três pequenas ruas de casas baixas em xisto.
Mas o que a distingue das outras é o Ecomuseu Tradições do Xisto — um conjunto de núcleos que transformam a aldeia num espaço vivo de educação ambiental e patrimonial, não apenas num cenário para fotografias.
Os burros mirandeses e a maternidade de árvores
O Núcleo Asinino do ecomuseu existe para proteger o burro de raça mirandesa, uma espécie autóctone portuguesa em vias de extinção. Em Aigra Nova vivem três exemplares, que podem ser visitados e acompanhados em passeios pela aldeia — uma forma direta de contactar com um animal que durante séculos foi essencial ao trabalho agrícola português e que hoje sobrevive em número reduzido.
Aigra Nova é também a única aldeia do país com uma Maternidade de Árvores — um espaço de educação ambiental onde é possível apadrinhar uma planta e contribuir para a reflorestação da Serra da Lousã, sempre com espécies autóctones. É um conceito raro: em vez de plantar árvores genericamente, o projeto cria uma relação individual entre cada padrinho e a árvore que apadrinhou.
A horta pedagógica e a refeição temática
O Núcleo da Coirela das Agostinhas funciona como horta pedagógica, celebrando as hortas tradicionais e as coirelas — os pequenos talhões de cultivo característicos desta região.
Os produtos cultivados aqui alimentam as refeições temáticas da aldeia e fornecem os ingredientes para os doces e compotas vendidos na Loja Aldeias do Xisto.
A refeição temática do Ecomuseu é servida em ambiente familiar, por locais vestidos em trajes típicos — queijo de cabra e broa de carne como entradas, chanfana de cabra velha assada em forno de lenha como prato principal, sobremesa regional, café e aguardente de mel a fechar.
É necessário um grupo mínimo de dez pessoas para marcar, o que a torna mais adequada a visitas em grupo ou organizadas do que a passagens individuais.
A Rota das Tradições do Xisto
A partir de Aigra Nova, a Rota das Tradições do Xisto liga as quatro aldeias do concelho de Góis — Aigra Nova, Aigra Velha, Pena e Comareira, esta última a mais pequena aldeia oficial de xisto de Portugal.
O percurso tem 9,2 quilómetros e dura cerca de quatro horas, com dificuldade classificada como fácil, passando por moinhos, fornos, currais, pocilgas, palheiros e adegas que documentam a vida rural da região ao longo do caminho.
Os Penedos de Góis, com desníveis acentuados e quedas de água exuberantes, são visíveis ao longo do trajeto — um dos pontos altos visuais da rota.
A Mata da Oitava e o que mais existe perto
A Mata da Oitava, com 470 hectares integrados na Rede Natura 2000, fica próxima de Aigra Nova. Pinheiros-bravos, castanheiros, azevinho e medronheiros definem uma floresta densa onde se pode praticar geocaching como atividade alternativa às caminhadas convencionais.
O Talasnal e Cerdeira, dois dos exemplos mais conhecidos e bem recuperados de aldeias de xisto, ficam a curta distância. O Baloiço do Trevim, uma das adições mais recentes ao turismo da região, completa um roteiro que pode facilmente ocupar um dia inteiro ou mais.
Aigra Nova é diferente das outras Aldeias do Xisto precisamente porque não se limita a mostrar casas recuperadas — tem um ecomuseu funcional, animais que se protegem ativamente, uma horta que alimenta refeições reais, e um projeto de reflorestação que convida o visitante a participar em vez de apenas observar. É turismo com função, não apenas com estética.






