VortexMag
  • Cultura
  • Sociedade
  • História
  • Viagens
  • Gastronomia
  • Lifestyle
  • Natureza
No Result
View All Result
VortexMag
No Result
View All Result
Home História

Corvo: a pequena ilha açoriana que resistiu aos piratas

A ilha do Corvo é a mais pequena e menos populosa do arquipélago dos Açores mas tem muitas histórias para contar. Descubra algumas delas.

VxMag by VxMag
Nov 26, 2021
in História
0
Ilha do Corvo açores

Ilha do Corvo

Partilhar no FacebookGuardar no Pinterest

ArtigosRelacionados

A aldeia perdida do Gerês onde a democracia nasceu primeiro

A aldeia perdida do Gerês onde a democracia nasceu primeiro

Ago 19, 2026
Albano Beirão: o "Homem Macaco" que aterrorizou Portugal no início do século XX

Albano Beirão: o “Homem Macaco” que aterrorizou Portugal no início do século XX

Ago 10, 2026
Duarte Pacheco Pereira

Duarte Pacheco Pereira: o navegador que poderá ter descoberto o Brasil antes de Cabral

Set 22, 2025
Suevos

A herança e a importância dos Suevos na história de Portugal

Set 21, 2025

A ilha do Corvo pertence ao arquipélago dos Açores e é a mais pequena das suas nove ilhas. Juntamente com a Ilha das Flores, é um dos paraísos insulares da Europa que se encontra mais a ocidental, estando já na placa tectónica do continente americano. No Corvo vivem cerca de 400 habitantes, ao longo de um raio de 17 km quadrados. 

A ilha foi originada por um vulcão há cerca de 700 mil anos, embora este hoje se encontra inativo. Vindo do mar, apenas se avista verde, e uma montanha escarpada que é mais alta de um lado do que do outro. Esta montanha chama-se Monte Gordo e abriga uma cratera vulcânica, conhecida como Caldeirão.

Na parte mais plana da ilha encontra-se a pequena localidade da Vila do Corvo. Com uma ilha tão pequena, os habitantes decidiram aninhar-se todos no mesmo punhado de terra, o que se revelou muito útil quando eventuais intrusos teimava em bater à porta. Mas já lá vamos. 

estátua
Ilha do Corvo

A ilha do Corvo está muito afastada da realidade cosmopolita, encontrando-se maioritariamente em estado selvagem. Também não existem semáforos, cadeias de hotéis ou de fast-food, anúncios publicitários ou centros comerciais. 

Lá se vão avistando alguns carros e motociclos, mas ainda é muito comum verem-se carroças puxadas por animais. Também o dia da população vive da agricultura, da pesca e da pecuária. Como curiosidade, a ilha tem apenas 10 km de estrada (alguma pavimentada, outra não).

A ilha do Corvo foi descoberta no século XV, algures na década de 1450, numa época em que a Ilha Das Flores também foi explorada. Foi Diogo de Teive quem a avistou pela primeira vez, mas como era uma ilha muito isolada e sem um porto seguro, não despertou o interesse imediato de Portugal. O Corvo só começou a ser explorado em meados do século XVI, altura em que foram enviados colonos, alguns vindos das Flores, para explorarem o cultivo da terra e a criação de gado. 

Com o tempo, e principalmente graças à sua posição geográfica pouco apetecível para a grande maioria dos navegadores, a ilha do Corvo tornou-se famosa por ser um dos refúgios favoritos de corsários, saqueadores e piratas, que procuravam abrigo nas suas encostas, faziam reféns, e saqueavam casas. Mas com os embarques sucessivos de intrusos, a valentia dos habitantes foi crescendo e acabou por imperar.

Ilha do Corvo
Ilha do Corvo (Paulo Azevedo)

Mas a verdadeira resistência surgiu em 1632, altura em que a ilha sofreu duas tentativas de desembarque de piratas oriundos da Barbária, no Norte de África, que se dedicavam a saquear, pilhar e incendiar povoações do Ocidente Europeu. A população uniu esforços e, arremessando pedras, conseguiu repelir os intrusos e dissolver a tentativa de invasão. 

Diz a lenda que a padroeira Nossa Senhora do Rosário os ajudou de forma incansável, e que foi a responsável por desviar todos os tiros mandados pelos piratas, devolvendo-os em multiplicado para os barcos dos invasores. A partir daí, a Santa foi rebatizada de Nossa Senhora dos Milagres, encontrando-se uma igreja dedicada apenas a ela numa das artérias da Vila do Corvo.

Ao longo da história, várias foram as vezes em que os corvinos mostraram a sua bravura. No século XIX, um grupo de locais decidiu partir rumo à ilha Terceira, a fim de se conseguirem aliviar do pesado tributo que era pago ao donatário da ilha e à coroa portuguesa. 

Mouzinho da Silveira, ministro do rei D. Pedro IV, mostrou-se impressionado com as dificuldades suportadas pela população da ilha do Corvo e pela sua coragem, e, por isso, propôs a anulação do imposto em dinheiro, reduzindo para metade o pagamento em trigo. Não muito tempo depois, a povoação foi elevada a Vila e sede de Concelho, designação que ainda hoje mantém sendo também o local habitado mais remoto de Portugal.

Nos séculos XVIII e XIX, chegaram os baleeiros americanos, sendo que alguns corvinos foram recrutados para ingressarem na caça ao cachalote, devido à sua coragem e bravura. Assim, na esperança de amealharem algum dinheiro, os habitantes rumavam ao mar e faziam-se arpoadores. 

Em 1864, a ilha tinha cerca de 1100 habitantes, mas desde então o decréscimo populacional tem sido acentuado. E já no século XX, o território viu os seus 808 habitantes caíram para 370, muito graças à emigração para os Estados Unidos e para o Canadá.

Apesar de tudo, ao longo do tempo, a qualidade de vida na ilha foi-se modernizando e melhorando. Em 1963, chegou a eletricidade e os primeiros cabos de telefone foram instalados. Até aí, a comunicação com as ilhas vizinhas tinha sido feita por rádio (via satélite) e, antes disso, por sinais de fumo. 

Após a inauguração do aeródromo do Corvo em 1983, acentua-se a modernização das estruturas, estabelecendo-se, a partir de 1990, rotas aéreas regulares com as ilhas das Flores, do Faial e da Terceira, o que fez com que a ilha deixasse de estar tão isolada.

Hoje, na ilha impera o verde e o estado natural, embora se vejam casas que descansam umas nas outras e que estão separadas por vias estreitas e acolhedoras. Aqui todos se conhecem e entreajudam. 

Não há registos de criminalidade e não há preocupações com desastres rodoviários. Por estas ruas ecoa o português arcaico, adornado pelo sotaque e expressões locais, não havendo espaço para ruídos mais estridentes que o som das ondas bravas. O Corvo revela-se assim o local perfeito para um recobro natural, bafejado pela imensidão do Atlântico.

Ajude-nos a chegar mais longe

Gosta do que lê na VortexMag? Adicione-nos como fonte preferida no Google e passe a ver mais dos nossos artigos nos seus resultados de pesquisa.

Adicionar como Fonte Preferida  →
VxMag

VxMag

A VxMag é a assinatura editorial coletiva da Vortex Magazine. Os artigos publicados sob este nome são escritos e revistos pela equipa da redação, que cobre sociedade, cultura, viagens, tecnologia e atualidade com o mesmo compromisso de rigor e verificação de factos.

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Circula PT: o desconto nos transportes que muitos reformados desconhecem
Sociedade

Circula PT: o desconto nos transportes que muitos reformados desconhecem

by VxMag
Set 20, 2026
0

Muitos reformados não sabem que têm direito a desconto nos passes de transporte. Veja como funciona o programa Circula PT...

Read moreDetails
"Com a breca!": a origem esquecida de uma das interjeições mais portuguesas

“Com a breca!”: a origem esquecida de uma das interjeições mais portuguesas

Set 20, 2026
As melhores plantas para casas de banho húmidas

As melhores plantas para casas de banho húmidas

Set 20, 2026
Azenhas do Mar

7 belíssimos locais românticos para passear perto de Lisboa

Set 20, 2026
Pudim Molotov: a sobremesa perfeita para um almoço em família

Pudim Molotov: a sobremesa perfeita para um almoço em família

Set 19, 2026
Choco frito à algarvia: receita tradicional da iguaria mais famosa do Algarve

Choco frito à algarvia: receita tradicional da iguaria mais famosa do Algarve

Set 19, 2026

© 2024 Vortex Magazine

Mais infomação

  • Ficha Técnica
  • Quem somos
  • Política de privacidade
  • Estatuto editorial

Redes Sociais

No Result
View All Result
  • Cultura
  • Sociedade
  • História
  • Viagens
  • Gastronomia
  • Lifestyle
  • Natureza

© 2024 Vortex Magazine