Todos os outonos, o mesmo ritual: ancinho na mão, montes de folhas no relvado e sacos e sacos a caminho do contentor. É trabalho que acaba no lixo. Mas essas folhas podem transformar-se num dos melhores corretivos de solo que um jardim pode ter, e sem custar um cêntimo.
Chama-se terra de folhas. É escura, fofa, cheira a bosque e melhora a estrutura de qualquer canteiro. Só exige uma coisa: paciência.
Porque é diferente do composto
A terra de folhas não é o mesmo que composto doméstico. Segundo a Royal Horticultural Society, a decomposição das folhas deve-se sobretudo a um processo lento, feito por fungos.
No composto, as bactérias trabalham depressa e a pilha aquece. Na terra de folhas, o processo pede um local mais fresco e húmido, não precisa de calor e dispensa que se revolva o monte. Faz-se quase sozinha.
Para um jardim pequeno, isto significa aproveitar um recurso que já existe e poupar viagens ao contentor. Para quem tem árvores de folha caduca, significa ter corretivo de solo todos os anos, sem o comprar.
Que folhas usar e quais evitar
Nem todas as folhas se decompõem ao mesmo ritmo. A RHS separa-as em três grupos.
- Folhas finas, como as de carvalho, faia e carpa: são as que se decompõem mais depressa
- Folhas grossas, como as de castanheiro, nogueira, castanheiro-da-índia ou bordo: devem ser trituradas antes
- Folhas de perenifólias, como azevinho ou louro: ficam melhor no compostor normal.
As agulhas de pinheiro e de outras coníferas também servem, mas levam dois a três anos a decompor-se. O resultado é uma terra de folhas ácida, útil para plantas que gostam desse tipo de solo.
Como fazer, passo a passo
O método é simples e não exige equipamento especial. O essencial é manter as folhas húmidas e protegidas.
- Juntar as folhas caídas, de preferência num dia seco
- Molhá-las bem, se estiverem secas
- Guardá-las em sacos de lixo furados ou num cercado de rede de arame
- Colocar os sacos ou o cercado num canto abrigado e sombrio do jardim
- Verificar de vez em quando se continuam húmidas, regando se for preciso.
Quem tiver pressa pode triturar as folhas antes, por exemplo passando-lhes por cima com o corta-relva. A RHS indica que, assim, a terra de folhas pode estar utilizável em seis a 12 meses.
Quanto tempo demora e como usar
Sem triturar, o processo leva cerca de dois anos. A espera compensa, porque o resultado tem usos diferentes consoante a idade.
Com mais de dois anos, a terra de folhas fica fina e escura, e pode ser usada como substrato para sementeiras ou para vasos. Mais jovem, ainda com pedaços de folha visíveis, serve como cobertura dos canteiros ou para melhorar a terra do jardim.
Espalhada à volta de arbustos e perenes, ajuda o solo a reter humidade e protege as raízes nos meses frios. Com o tempo, as minhocas incorporam-na na terra.
O erro mais comum é deixar os sacos ao sol ou deixá-los secar por completo. Sem humidade, os fungos param e as folhas ficam anos sem se transformar. Para os restos de cozinha e de horta, o caminho é outro, e aqui fica como fazer compostagem doméstica sem cheiro e sem moscas.
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