VortexMag
  • Cultura
  • Sociedade
  • História
  • Viagens
  • Gastronomia
  • Lifestyle
  • Natureza
No Result
View All Result
VortexMag
No Result
View All Result
Home História

Quando as vacas passeavam por Lisboa e serviam leite ao copo

Até inícios do séculos XX, era comum existirem vacarias no centro de Lisboa. Descubra esta insólita história.

VxMag by VxMag
Mar 17, 2025
in História
0
vacaria em lisboa

Vacaria em Lisboa

Partilhar no FacebookGuardar no Pinterest

ArtigosRelacionados

Duarte Pacheco Pereira

Duarte Pacheco Pereira: o navegador que poderá ter descoberto o Brasil antes de Cabral

Set 22, 2025
Suevos

A herança e a importância dos Suevos na história de Portugal

Set 21, 2025
Filipe II

Filipe II: o Rei espanhol que amava Portugal

Set 21, 2025
Badajoz

Quando Badajoz foi capital de um reino que se estendia até Lisboa e ao Alentejo

Set 16, 2025

Imagine que está a passear pelas ruas do Chiado e, de repente, vê uma vaca. Não num mural de arte urbana ou num anúncio a produtos biológicos, mas uma vaca verdadeira, a deambular calmamente pelo centro de Lisboa.

Agora imagine que essa mesma vaca pára ao seu lado, é mungida ali mesmo, e servem-lhe um copo de leite fresco. Parece um delírio? Pois bem, em 1887, esta cena fazia parte do dia-a-dia lisboeta.

No final do século XIX, Lisboa tinha cerca de 200 vacarias urbanas espalhadas por ruas movimentadas como o Crucifixo, São Paulo, Trindade e até São Bento. Sim, mesmo ao lado da atual Assembleia da República!

Ao todo, quatro mil vacas viviam e “trabalhavam” na cidade, competindo com as cabras, estas veteranas do abastecimento lácteo que já faziam parte dos hábitos alimentares portugueses.

Nesta época, o leite não era propriamente a bebida de eleição dos portugueses. Entre um copo de leite e um copo de vinho, a raia-miúda inclinava-se mais para o segundo.

Mas o hábito foi-se impondo, e as vacas passaram a fazer parte da rotina urbana. Em algumas ruas, os seus donos mungiam-nas à porta dos clientes, servindo leite diretamente no copo. Higiénico? Bem, eram outros tempos…

Foi por esta altura que a vaca Frísia, aquela que hoje associamos ao leite — branca com manchas negras — começou a destacar-se. Batizada em Portugal como Turina, esta vaca era um verdadeiro Ferrari da produção leiteira na sua terra natal, a Holanda.

Mas por cá, teve de se adaptar. Numa terra onde cada animal precisava de ser polivalente, a Turina não se destacava nem pela força de trabalho nem pela qualidade da carne.

O seu leite, menos gordo, não ajudava muito à produção de manteiga e era menos rentável para quem tinha o mau hábito de o adulterar com água. Foi uma longa caminhada até esta raça conquistar o seu estatuto de rainha do leite.

Se tudo isto lhe soa ligeiramente caótico, imagine o cheiro… Não foi, por isso, uma surpresa quando, em 1920, as autoridades decidiram acabar com as vacarias urbanas e proibir a circulação de gado pela cidade.

Lisboa modernizava-se, a higiene pública ganhava importância e a ideia de partilhar as ruas com vacas em horário de expediente já não parecia assim tão agradável. As vacarias deram lugar a leitarias, e o leite passou a chegar de forma mais discreta às casas lisboetas.

O leite pode ter ganho o seu espaço na alimentação dos portugueses, mas produtos como o iogurte ainda demoraram anos a conquistar os consumidores. Afinal, num país onde o vinho sempre foi rei, a ideia de beber leite parecia, para muitos, um luxo desnecessário.

Hoje, ao passearmos por Lisboa, poucas pistas restam desta era em que as vacas tinham tanto direito à cidade como os seus habitantes.

Mas se por acaso algum dia encontrar um café chamado “A Leitaria”, lembre-se que pode estar num dos locais onde, em tempos, o leite vinha diretamente da fonte — e não, não estamos a falar de um pacote do supermercado.

Fonte: o sal da história

Ajude-nos a chegar mais longe

Gosta do que lê na VortexMag? Adicione-nos como fonte preferida no Google e passe a ver mais dos nossos artigos nos seus resultados de pesquisa.

Adicionar como Fonte Preferida  →
VxMag

VxMag

A VxMag é a assinatura editorial coletiva da Vortex Magazine. Os artigos publicados sob este nome são escritos e revistos pela equipa da redação, que cobre sociedade, cultura, viagens, tecnologia e atualidade com o mesmo compromisso de rigor e verificação de factos.

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Como limpar o micro-ondas sem produtos químicos em poucos minutos
Limpeza

Como limpar o micro-ondas sem produtos químicos em poucos minutos

by VxMag
Ago 5, 2026
0

Salpicos de molho de tomate ressequidos, gordura seca nas paredes, cheiros que se acumulam com o tempo — o interior...

Read moreDetails
Porque o frigorífico começa a cheirar mal mesmo estando limpo por fora

Porque o frigorífico começa a cheirar mal mesmo estando limpo por fora

Ago 5, 2026
Bacalhau com grão à portuguesa: receita tradicional que sai sempre bem

Bacalhau com grão à portuguesa: receita tradicional que sai sempre bem

Ago 5, 2026
Croquetes de presunto e queijo à espanhola: receita tradicional

Croquetes de presunto e queijo à espanhola: receita tradicional

Ago 5, 2026
Palavras portuguesas de origem francesa que usamos sem dar conta

Palavras portuguesas de origem francesa que usamos sem dar conta

Ago 5, 2026
Arroz doce à moda antiga com casca de limão e canela

Arroz doce à moda antiga com casca de limão e canela: receita à moda das nossas avós

Ago 4, 2026

© 2024 Vortex Magazine

Mais infomação

  • Ficha Técnica
  • Quem somos
  • Política de privacidade
  • Estatuto editorial

Redes Sociais

No Result
View All Result
  • Cultura
  • Sociedade
  • História
  • Viagens
  • Gastronomia
  • Lifestyle
  • Natureza

© 2024 Vortex Magazine