O Japão regista, em média, cerca de 1.500 sismos sentidos por ano. O Brasil, um país continental, regista tremores fortes tão raramente que fazem manchetes quando acontecem.
A diferença não é sorte, nem coincidência. É geologia pura.
Quase tudo se decide nas fronteiras
Cerca de 90% de todos os sismos do mundo ocorrem numa única faixa: o chamado Anel de Fogo do Pacífico, uma zona em forma de ferradura com cerca de 40 mil quilómetros que rodeia praticamente todo o oceano Pacífico.
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), esta faixa acompanha as fronteiras entre a placa do Pacífico e várias placas vizinhas, onde uma placa oceânica mergulha lentamente sob outra num processo chamado subducção.
Porque a subducção gera tantos sismos
Nestas zonas de subducção, uma placa inteira, com quilómetros de espessura, é empurrada lentamente para dentro do manto terrestre, a um ritmo de poucos centímetros por ano.
As placas não deslizam suavemente uma sob a outra — ficam presas por atrito durante décadas ou séculos, acumulando tensão, até que essa tensão é finalmente libertada de forma súbita, num sismo. Todos os sismos alguma vez registados acima de magnitude 9 aconteceram precisamente em zonas de subducção como esta.
Porque algumas regiões quase nunca tremem
Zonas como o Brasil, a Austrália central, o deserto do Sara ou a Sibéria central situam-se no interior de placas tectónicas, longe de qualquer fronteira ativa.
A crosta terrestre nestas regiões é antiga — muitas vezes com milhares de milhões de anos —, fria e extraordinariamente resistente, o que explica porque os sismos aí são tão raros.
As exceções que confirmam a regra
Nem todos os sismos acontecem junto a fronteiras de placas. Os chamados sismos intraplaca ocorrem, por vezes, a centenas ou milhares de quilómetros de qualquer fronteira ativa.
O exemplo mais conhecido nos Estados Unidos é a zona sísmica de New Madrid, no centro do país, onde uma série de sismos em 1811 e 1812 chegou a inverter temporariamente o curso do rio Mississippi — resultado de falhas antigas, soterradas profundamente sob a superfície.
Um planeta com um mapa de risco muito desigual
Saber onde uma região se situa em relação às fronteiras das placas tectónicas explica, com notável precisão, porque alguns países vivem preparados para sismos regulares — e outros mal sabem o que é sentir a terra tremer.
Fontes
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