A Lua que vemos hoje no céu não está exatamente no mesmo sítio onde estava há um ano. Está, na verdade, cerca de 3,8 centímetros mais longe.
Não dá para notar a olho nu — mas a ciência mede este afastamento com uma precisão impressionante.
Como se mede uma coisa tão pequena
Desde 1969, os astronautas das missões Apollo deixaram na superfície lunar pequenos refletores especiais. Ao disparar feixes de laser da Terra até esses refletores e medir o tempo que a luz demora a voltar, os cientistas conseguem calcular a distância entre a Terra e a Lua com uma precisão de poucos milímetros.
Estas medições, repetidas ao longo de mais de cinco décadas, mostram de forma consistente que a Lua se afasta a um ritmo de cerca de 3,8 centímetros por ano — aproximadamente a mesma velocidade a que crescem as unhas humanas.
O motor por trás do afastamento
A causa está nas marés que a própria Lua provoca nos oceanos da Terra. Como a rotação da Terra é mais rápida do que a órbita da Lua, a maré provocada pela gravidade lunar fica ligeiramente adiantada em relação à posição exata da Lua no céu.
Essa pequena assimetria transfere gradualmente energia da rotação da Terra para a órbita da Lua, empurrando-a lentamente para mais longe — um processo chamado fricção das marés.
Os dias na Terra também estão a alongar-se
Este mesmo processo está a desacelerar ligeiramente a rotação da Terra. Segundo medições de longo prazo, um dia na Terra está a alongar-se a um ritmo de cerca de 1,7 milissegundos por século.
É uma alteração tão pequena que é impercetível numa vida humana, mas que, ao longo de milhões de anos, acumula efeitos consideráveis — sabe-se, por exemplo, que há centenas de milhões de anos os dias na Terra tinham apenas cerca de vinte e poucas horas.
Um afastamento que não vai continuar para sempre
Segundo cálculos do Observatório Nacional de Radioastronomia dos Estados Unidos, este processo deverá continuar durante cerca de 15 mil milhões de anos — um número que, na prática, é puramente teórico, já que o Sol deverá entrar na sua fase de gigante vermelha muito antes disso, dentro de seis a sete mil milhões de anos.
Uma companheira que se afasta devagar, mas nunca nos abandona
A Lua não vai desaparecer do céu amanhã, nem no espaço de várias gerações humanas. Mas o facto de conseguirmos medir, com precisão milimétrica, um movimento tão lento e tão distante é um dos exemplos mais bonitos de como a ciência consegue tornar visível aquilo que os nossos olhos nunca conseguiriam captar sozinhos.
Fontes
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