Normalmente falamos de palavras inglesas que entraram no português. Mas o percurso também aconteceu ao contrário: durante os séculos de expansão marítima portuguesa, várias palavras da nossa língua entraram diretamente no vocabulário inglês — e continuam lá até hoje.
Cobra, uma palavra que ficou quase intacta
A palavra inglesa “cobra”, usada especificamente para designar a naja e serpentes relacionadas, vem diretamente do português “cobra” — que, por sua vez, deriva do latim “colubra” (serpente). Os portugueses usaram este termo para descrever répteis que encontraram durante as suas viagens pela Ásia e por África, e a palavra ficou, entrando no vocabulário inglês praticamente sem qualquer alteração.
Mosquito, um diminutivo que se tornou palavra própria noutra língua
Em português, “mosquito” é o diminutivo de “mosca” — mas em inglês tornou-se uma palavra independente e autónoma, sem qualquer noção de “pequena mosca” associada. Segundo a Revista Fórum, exploradores e colonizadores portugueses trouxeram esta palavra para descrever os insetos tropicais comuns nas regiões que colonizavam, e o termo consolidou-se no vocabulário inglês já no século XVIII.
Veranda, do português “varanda”
A palavra inglesa “veranda”, usada para descrever um alpendre ou terraço coberto, vem diretamente do português “varanda” — outro exemplo de como a arquitetura e o vocabulário português influenciaram diretamente a língua inglesa através do contacto colonial.
Molasses, do português “melaço”
“Molasses”, a palavra inglesa para o xarope escuro obtido da cristalização do açúcar, tem origem no português “melaço” — uma palavra ligada diretamente ao comércio açucareiro que os portugueses desenvolveram nas suas colónias, sobretudo no Brasil.
Palavras que também vieram do tupi, através do português
Nem todas estas palavras têm origem puramente portuguesa: “jaguar” e “piranha”, por exemplo, vieram originalmente do tupi (respetivamente “yaguara” e “pira’ya”), mas entraram no inglês através do português, que serviu de ponte linguística entre as línguas indígenas brasileiras e o resto do mundo.
Uma curiosidade sobre “palavreado”
Uma das entradas mais bem-humoradas desta lista, apontada pelo Ciberdúvidas da Língua Portuguesa: a palavra inglesa para “conversa fiada” ou “linguagem confusa” tem origem direta na nossa palavra “palavra” — um pequeno sinal de como os ingleses, em certo momento histórico, terão achado os portugueses particularmente “palavrosos”.
Um comércio de palavras, tal como de especiarias
Estas palavras são um lembrete de que a influência linguística portuguesa não foi apenas recetora — durante os séculos da expansão marítima, o português também exportou vocabulário, tal como exportou especiarias, tecidos e outros bens, deixando marcas que continuam vivas em conversas em inglês, séculos depois, sem que a maioria dos falantes tenha qualquer ideia da sua origem lusófona.
Fontes
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