O euro digital vai existir, mas não vai substituir as notas nem o cartão Multibanco. Será uma forma adicional de pagar, emitida pelo Banco Central Europeu (BCE) e aceite em toda a zona euro.
O calendário já está traçado, mas depende da aprovação final da lei europeia. Eis o que se sabe até agora.
O que é o euro digital
Trata-se de dinheiro emitido diretamente pelo BCE, em formato eletrónico. Tal como as notas, terá curso legal: um euro digital valerá exatamente o mesmo que um euro em numerário.
Ficará guardado numa carteira digital, acessível através do banco ou de uma aplicação própria. Quem não tiver smartphone deverá poder usar um cartão físico.
Quando chega
| Data | Etapa |
|---|---|
| 30 de outubro de 2025 | O BCE passa da fase de preparação à fase de desenvolvimento |
| 9 de julho de 2026 | O Parlamento Europeu aprova o mandato para negociar a lei com os Estados-membros |
| 2027 (2.º semestre) | Início previsto do projeto-piloto, se a lei for aprovada em 2026 |
| 2029 | Primeira emissão prevista |
As negociações entre o Parlamento e o Conselho da UE decorrem no segundo semestre de 2026. Se o acordo se atrasar, o calendário também derrapa.
O que muda para quem paga
- Os serviços básicos serão gratuitos para os cidadãos.
- Será possível pagar em lojas, online e entre particulares, em qualquer país da zona euro.
- Haverá pagamentos offline, sem ligação à internet, entre dois dispositivos.
- A maioria das empresas terá de o aceitar. As microempresas que não aceitam pagamentos digitais ficam de fora.
Vai haver um limite
Para evitar que as pessoas transfiram em massa as poupanças dos bancos, haverá um teto para o montante que cada cidadão pode guardar em euros digitais. O valor ainda não foi fixado.
Pode continuar a pagar em dinheiro
O BCE sublinha que o euro digital vai complementar o numerário. Em paralelo, defende o reforço do direito de pagar com notas e moedas.
O cartão Multibanco e o MB WAY também continuam. O euro digital surge sobretudo como alternativa europeia às redes internacionais de cartões, como a Visa e a Mastercard.
As dúvidas que persistem
A privacidade é a principal preocupação. O BCE garante que não terá acesso à identidade de quem paga e que os pagamentos offline terão uma privacidade próxima da do numerário.
Os bancos também têm manifestado reservas, por receio de perder depósitos e receitas de comissões. Estas questões vão marcar as negociações dos próximos meses. Para já, a regra prática mantém-se: ter algum dinheiro físico em casa continua a ser recomendado.
Informação verificada em setembro de 2026. Fontes: Banco Central Europeu e Parlamento Europeu. Nota: este artigo foi atualizado. Uma versão anterior indicava que o euro digital iria substituir o numerário e os cartões, o que não corresponde ao que está previsto.