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A arte do azulejo

No ano de 1498 o rei de Portugal D. Manuel I viaja a Espanha e fica deslumbrado com a exuberância dos interiores mouriscos, com a sua proliferação cromática nos revestimentos parietais complexos. É com o seu desejo de edificar a sua residência à semelhança dos edifícios visitados em Saragoça, Toledo e Sevilha que o azulejo hispano-mourisco faz a sua primeira aparição em Portugal. O Palácio Nacional de Sintra, que serviu de residência ao rei, é um dos melhores e mais originais exemplos desse azulejo inicial ainda importado de oficinas de Sevilha em 1503 (que até então já forneciam outras regiões, como o sul de Itália).

1504
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A partir dos finais do século XV, princípios do XVI, quando a decoração ornamental muçulmana teve um papel importante na arte portuguesa, foi estimulado o desenvolvimento do azulejo. Eram feitas encomendas de azulejos às cerâmicas mouriscas de Sevilha e então dominava o gosto por superfícies completamente cobertas com azulejos, que permitiam uma melhor compreensão da organização geométrica das formas.

monstrengo

Na segunda metade do século XVI chegam a Portugal azulejos vindos das oficinas flamengas e espanholas de Talavera e Sevilha. Por influência destes centros, Portugal aprendeu o método de fabrico e pintura de faianças (de origem italiana), o uso de composições figuradas e a divulgação da última decoração renascentista que exerceu a sua influência durante o século XVII.

Foto: Jack Sand
Foto: Jack Sand

Do Oriente chegou o sentido do brilho, exuberância e fantasia de motivos ornamentais, especialmente através dos tecidos, e o uso das cores intensas.

Azulejo-Pinhao (1)

Da China veio o azul da porcelana, que na segunda metade do século XVII deu ao azulejo composições já sem carácter repetitivo, cheias de dinamismo, de formas em movimento. Nos finais do século XVII, princípios do século XVIII, Portugal importou da Holanda grandes quantidades de azulejo, absorvendo a pureza e o refinamento dos materiais, assim como a ideia de especialização de pintores.

Igreja Matriz de Cortegaça - Luís Neves
Igreja Matriz de Cortegaça – Luís Neves

No reinado de D. João V (1706-1750), os azulejos sofrem a influência da talha, utilizando os mesmos motivos numa tendência para que as superfícies inteiras de parede fossem revestidas, criando assim um impacto espetacular característico do Barroco. Por seu lado, as gravuras estrangeiras que circulavam no país inspiraram as composições dos painéis figurativos.

Foto: Joana Sá
Foto: Joana Sá

Após o terramoto de 1755, a frágil situação económica e a necessidade de reconstruir Lisboa levou a uma conceção utilitária e prática do azulejo, usado como um complemento de fatores estéticos. Assim continuou até finais do século XVIII, o que conduziu a uma grande quebra ao nível da ornamentação.

Foto: Carlos Sá
Foto: Carlos Sá

Com o regresso do Brasil, após as invasões francesas, a corte portuguesa oitocentista trouxe consigo a ideia de usar o azulejo como material de revestimento das fachadas dos edifícios, dada a dualidade deste material.

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