Cultura

15 palavras japonesas de origem portuguesa

palavras japonesas de origem portuguesa
palavras japonesas de origem portuguesa

Quando os portugueses chegaram ao Japão, em meados do século XVI, abriram uma rota de trocas que foi muito além das especiarias e da prata. Chegaram mercadorias, técnicas, crenças e também palavras.

O português tornou-se língua de contacto entre missionários, mercadores e cortes locais, deixando marcas que ainda hoje se ouvem no japonês.

Nem tudo o que costuma circular em listas é correto – há termos que vieram do holandês ou do inglês -, mas o núcleo de empréstimos portugueses (ou via português) é sólido e fascinante.

Eis um conjunto de palavras com etimologia amplamente reconhecida:

  • pan (パン) — de pão. Generalizou o termo para o pão de trigo.
  • bōro (ボーロ) — de bolo. Sobrevive em biscoitos como os tamago bōro.
  • botan (ボタン) — de botão.
  • bīdoro (ビードロ) — de vidro. Designou vidro e certos brinquedos de sopro.
  • birōdo (ビロード) — de veludo.
  • furasuko (フラスコ) — de frasco.
  • karuta (カルタ) — de carta. Jogos de cartas que se enraizaram localmente.
  • konpeitō (金平糖) — de confeito. Os pequenos cristais de açúcar tornaram-se iguaria de oferta.
  • kasutera (カステラ) — de (pão de) Castela. Bolo esponjoso emblemático de Nagasaki.
  • tabako (たばこ) — de tabaco (via português/ espanhol).
  • shabon (シャボン) — de sabão (via português/ espanhol), hoje mais comum em shabon-dama (“bolas de sabão”).
  • kapitan (カピタン) — de capitão. Título aplicado a chefes europeus em portos como Nagasaki.
  • oranda (オランダ) — de Holanda. Nome que os japoneses fixaram para os neerlandeses.
  • kirishitan (キリシタン) — de cristão. Termo histórico para os cristãos no Japão.
  • kappa (合羽) — de capa. Capa impermeável; o empréstimo manteve-se no vestuário.

Há outros casos de influência luso-ibérica na alimentação e no léxico religioso (como bateren, de padre), e até discussões interessantes como tempura: não é seguro ligar o nome apenas a tempero, mas a prática de fritura em dias de abstinência católica e o contato com missionários ibéricos são parte da história.

Importa, porém, separar mito de realidade. Costumam surgir em listas como “portuguesas”, mas não o são no japonês moderno: arukōru (álcool, via holandês/alemão), ranpu (lâmpada, via holandês), miruku (leite, inglês), kurisumasu (Natal, inglês), pandōro (italiano), koppu (copo, via holandês) e bīdama (berlinde? na verdade “bola de vidro”, de bīdoro + tama).

O legado português no Japão não é uma lista interminável; é um retrato nítido de um momento histórico: o encontro entre Nagasaki e o mundo, quando novas coisas precisaram de novos nomes. E alguns desses nomes nasceram em português.

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