Na Serra da Estrela, em pleno Parque Natural, Verdelhos tem no nome a descrição da paisagem: o verde foi sempre dominante nesta localidade da Covilhã, atravessada pelo rio Bejames e rodeada de arvoredo denso.
A alcunha local não confirma essa seriedade de propósito — na região, chamam-lhe “Nova Iorque”, por razões que ninguém sabe bem explicar.
A arquitetura conta outra história. No século passado, a aldeia era totalmente feita de xisto. Hoje, o que domina são vivendas construídas pelos emigrantes da terra — uma reconstrução desorganizada que apagou grande parte da traça original. É um padrão comum em aldeias do interior português com emigração significativa, e Verdelhos não é exceção.
As duas praias fluviais
O rio Bejames alimenta duas praias fluviais de águas frias. A primeira fica perto da nascente, é mais selvagem, tem uma pequena cascata artificial e paisagem em redor sem estruturas de apoio.
A segunda está no centro da aldeia, com melhores acessos e infraestrutura, e é a mais procurada no verão tanto por locais como por visitantes da Serra da Estrela.
A capela que foi construída contra a peste
À entrada da aldeia, a Capela de São Romão é uma construção humilde com uma história curiosa: foi erguida com a intenção de afastar matilhas de cães selvagens durante um surto de peste que devastava a aldeia. Ao que parece, a ideia funcionou.
Os trilhos e a Rota das Faias
A partir de Verdelhos, várias veredas permitem explorar os arredores: Abitureira, Aguilhão, Cabeça do Pato e Sarnadas são as mais conhecidas, embora algumas partes possam não estar sinalizadas — convém prosseguir com cautela.
A Rota das Faias, um dos trilhos mais famosos do Parque Natural da Serra da Estrela, fica nas proximidades. Percorre o vale glaciar do Zêzere por entre um bosque de faias que no outono pinta a paisagem de amarelo e laranja — um dos espetáculos sazonais mais marcantes desta zona da serra.
O Pego do Inferno e o Covão da Ametade
A poucos minutos de Verdelhos, o Pego do Inferno é uma das cascatas mais conhecidas da região — uma queda de água que o nome dramático tornou famosa. Conduzindo mais um pouco, chega-se ao Covão da Ametade, o ponto onde o rio Zêzere começa a ganhar forma num antigo covão glaciar a 1500 metros de altitude.
Valhelhas e as cidades próximas
Valhelhas, no concelho da Guarda, integra como Verdelhos a rede de Aldeias de Montanha e tem uma praia fluvial convidativa nas margens do Zêzere — um ponto de pausa natural durante um dia de exploração entre as duas aldeias.
Covilhã, Manteigas e Belmonte ficam a curta distância, com história e gastronomia que complementam o que a natureza da serra oferece por si só.
Verdelhos é uma aldeia que perdeu parte da sua traça original para as vivendas da emigração, mas manteve o que não se constrói nem se destrói facilmente: o rio, as faias, as cascatas e o verde que deu nome ao lugar. É esse contraste — arquitetura recente, natureza antiga — que define o que se encontra quando se chega.






