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Convento da Arrábida: os primeiros frades viveram em celas escavadas nas rochas antes de construir o que existe hoje

O Convento da Arrábida, na Serra da Arrábida, foi fundado em 1539 por frades que viveram em celas escavadas nas rochas. Monumento Nacional desde 1996, pertence hoje à Fundação Oriente.

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Jun 26, 2026
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Convento da Arrábida

Convento da Arrábida

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Na encosta da Serra da Arrábida, entre penhascos e vegetação mediterrânica densa, o Convento da Arrábida começou como uma ermida dedicada a Nossa Senhora da Memória, que o primeiro duque de Aveiro ofereceu a um frade castelhano chamado Frei Martinho de Santa Maria, em 1539.

Frei Martinho chegara a Portugal depois de percorrer vários países da Europa e do Oriente. O duque ficou impressionado pela sua santidade e sabedoria, e ofereceu-lhe as terras da encosta.

Frei Martinho instalou-se na ermida com outros três frades — Francisco Pedraíta, São Pedro de Alcântara e Diogo de Lisboa — que se tornaram os primeiros “arrábidos”, os primeiros franciscanos a viver na Arrábida.

As celas nas rochas e o Convento Velho

Os primeiros anos foram de austeridade extrema. Os frades viviam em celas escavadas nas rochas, no alto da serra, praticando oração e contemplação em quase total isolamento.

Aos poucos, construíram capelas e guaritas ao longo da encosta, formando o chamado Convento Velho — um conjunto que cresceu gradualmente graças ao apoio dos duques de Aveiro, que se tornaram patronos e protetores da comunidade.

Os duques financiaram depois o Convento Novo, com refeitório, biblioteca, enfermaria e outras dependências. Mandaram também edificar o Santuário do Bom Jesus no sopé da serra, e construíram uma hospedaria para si próprios e casas para os peregrinos que visitavam o local.

Uma comunidade de frades com jardim botânico

Os arrábidos seguiam uma regra rigorosa — jejum, silêncio, penitência, caridade — mas dedicavam-se também ao estudo e à cultura. A biblioteca tinha livros antigos e raros.

Mantinham um jardim botânico de plantas medicinais e ornamentais, e consideravam os animais e plantas da serra criaturas de Deus, tratando-as com respeito. No século XVII, a comunidade chegou a ter mais de 100 frades.

Os terramotos, a extinção e o abandono

No século XVIII, o convento sofreu com os terramotos que abalaram a região — a Serra da Arrábida sentiu as consequências do mesmo terramoto de 1755 que destruiu Lisboa.

No século XIX, o governo liberal extinguiu as ordens religiosas, expulsou os frades e confiscou os seus bens. O convento ficou abandonado e foi saqueado, sofrendo danos graves.

Em 1863, a Casa de Palmela comprou o conjunto e iniciou um processo de recuperação e conservação. Em 1990, foi vendido à Fundação Oriente, que continuou o trabalho. Em 1996, foi classificado como Monumento Nacional.

Como visitar

O convento fica num parque natural com acesso condicionado — as visitas requerem reserva prévia, em parte para proteger o ecossistema da serra. A vista do convento sobre o Atlântico e a encosta da Arrábida é um dos enquadramentos mais marcantes da costa de Setúbal.

A região em redor oferece praias de água cristalina como a Praia dos Coelhos e a Praia da Figueirinha, trilhos pela serra, e a vila de Azeitão — conhecida pelos vinhos e queijos que complementam naturalmente qualquer visita à Arrábida.

O Convento da Arrábida é o resultado de quatro séculos de construção gradual, desde as celas escavadas nas rochas pelos primeiros frades até ao conjunto que os duques de Aveiro financiaram ao longo de gerações.

O abandono do século XIX e a recuperação posterior não apagaram essa história — estão visíveis na sobreposição de estruturas que compõem o conjunto hoje visitável.

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