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Poços da Broca: as cascatas que os habitantes da Serra da Estrela criaram ao desviar os rios

Os Poços da Broca, em Seia, são cinco piscinas naturais criadas pelo desvio das ribeiras da Serra da Estrela. Cada uma com carácter próprio - da mais famosa Barriosa à remota Aguincho.

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Jun 2, 2026
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Poço da Broca de Barriosa

Poço da Broca de Barriosa

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Na Serra da Estrela, no concelho de Seia, existem cinco cascatas e piscinas naturais que não existiriam se não fosse a intervenção humana. Os Poços da Broca são o resultado de um corte deliberado nas margens das ribeiras — uma broca, como lhe chamavam — feito pelos antigos habitantes da serra, provavelmente no século XVIII ou XIX, para desviar o caudal e libertar o terreno plano para a agricultura.

O espaço plano era raro e valioso nestas encostas. As ribeiras ocupavam os meandros mais favoráveis. A solução foi perfurar as margens e criar novos percursos para a água — que ao cair de alturas variáveis formou cascatas e poços que a intenção original não tinha previsto como resultado principal.

Alguns foram depois aproveitados como tanques de irrigação. Outros receberam azenhas para moagem. Hoje são pontos de mergulho e de contemplação numa das serras mais visitadas do país.

Os cinco poços – cada um com o seu carácter

Poço da Broca da Barriosa é o mais conhecido e o mais concorrido. Tem praia fluvial, restaurante com reputação regional e bons acessos. A paisagem de socalcos em redor é ela própria uma prova da intervenção humana que deu origem ao conjunto. No verão, enche cedo — quem quer ter o lugar com tranquilidade vai de manhã ou evita agosto.

Poço da Broca de Frádigas é o segundo mais procurado. O acesso faz-se a partir da Igreja de Frádigas, por um trilho curto e bem marcado. A cascata é larga e peculiar — parece uma descarga de dezenas de torneiras correndo pelo xisto frágil, numa forma que não tem paralelo nos outros poços. Uma ponte acima da queda liga as duas margens.

Poço da Broca do Muro, também conhecido por Poço Fundeiro, fica na ribeira de Loriga e é o mais tranquilo dos cinco. O nome é duplo — pode referir-se à profundidade ou ao facto de se situar no fundo de um vale. O acesso faz-se pela ponta sul da povoação do Muro, sem grande dificuldade.

Poço da Broca do Aguincho é o menos visitado, em parte porque os acessos são os piores dos cinco. Há duas opções: um trilho pelo lado oeste, ou uma estrada de terra a partir da Hospedaria Retiro do Aguincho. A cascata forma-se numa trincheira estreita — não é a mais espetacular — mas a envolvente é silenciosa e a piscina bem resguardada.

Poço da Broca do Serapitel fica na ribeira de Loriga, a maior altitude de todos. As temperaturas são mais baixas, especialmente fora dos meses quentes, e a queda de água não é das mais volumosas. A viagem compensa pela piscina protegida e pela paisagem de altitude que os outros poços não têm.

Como visitar

Não existe rota oficial que ligue os cinco poços. A forma mais prática é fazer o percurso de carro: começar por Loriga para o Serapitel, descer pela M518 por Cabeça até ao Muro, continuar até Vide, seguir pela N230 até Barriosa e percorrer a Rua 1 de Maio de Frádigas até Aguincho — que passa ao lado dos três poços da zona sul. É um dia completo com paragens, e exige alguma pesquisa prévia porque a sinalização não é consistente.

Os Poços da Broca são um daqueles casos em que a intervenção humana produziu algo mais bonito do que o que pretendia. Quem perfurou as margens das ribeiras queria terra para cultivar.

O que ficou foram cascatas e piscinas que a serra não teria por si só — e que hoje atraem visitantes que não fazem ideia de como chegaram a existir.

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