No concelho de Santana, no norte da Madeira, o Parque Florestal das Queimadas abrange cerca de 900 hectares de floresta Laurissilva — a vegetação subtropical húmida que a UNESCO classificou como Património Mundial em 1999.
É uma das manchas florestais mais bem conservadas da Macaronésia, e o tipo de lugar onde a biodiversidade se revela a quem caminha devagar e presta atenção ao que está à sua volta.
A floresta e o que nela vive
A Laurissilva domina a paisagem com loureiros, barbusanos, tis, vinhátegos e folhados — espécies endémicas que cobrem a encosta em camadas densas e húmidas. Entre as aves, destacam-se o pombo-torcaz, o bis-bis, o melro-preto e o tentilhão — algumas endémicas da Madeira, outras partilhadas com o arquipélago atlântico mais alargado.
Nas zonas mais abertas do parque, campos e prados criam contraste com a floresta densa, e a luz que se filtra através das copas muda o ambiente ao longo do dia — o tipo de condições que torna este lugar particularmente procurado por fotógrafos.
A Casa das Queimadas
No centro do parque, a Casa das Queimadas data do século XVIII e é um exemplo da arquitetura tradicional madeirense: pedras de basalto, telhado de colmo e janelas coloridas. Hoje funciona como centro de interpretação ambiental e ponto de partida para os trilhos do parque.
A casa foi, durante séculos, ponto de encontro e convívio para os habitantes locais — um refúgio que proporcionava abrigo e alimento a quem trabalhava e vivia na encosta.
Os moinhos de água que ainda pontiam a paisagem são o vestígio mais visível dessa ligação histórica entre as pessoas e a floresta: usados para moer cereais e fazer farinha, foram parte fundamental da economia local durante gerações.
Os trilhos principais
O PR9 — Levada do Caldeirão Verde, com 6,5 quilómetros, é o mais procurado a partir das Queimadas — percorre a levada até chegar a um poço natural rodeado de vegetação densa, com uma cascata que cai sobre uma lagoa de água verde. É um dos percursos mais fotogénicos da Madeira.
O PR10 — Levada do Furado, com 11 quilómetros, parte também das Queimadas e liga ao Ribeiro Frio, atravessando a floresta com vistas amplas sobre o norte da ilha.
O PR1 — Vereda do Areeiro – Pico Ruivo, com 11 quilómetros, é o mais exigente dos três, percorrendo o topo da ilha entre os dois pontos mais altos da Madeira — um percurso de montanha com paisagens que são radicalmente diferentes da floresta baixa das Queimadas.
O que mais existe no parque
O parque tem zonas de merenda equipadas com mesas, bancos e grelhadores, sanitários e parque infantil — infraestrutura que o torna adequado para estadias mais longas do que uma simples caminhada. A Casa das Queimadas tem informação sobre os percursos e pode ajudar a escolher o trilho certo em função da condição física e do tempo disponível.
O Parque Florestal das Queimadas combina uma floresta de valor ecológico excecional com uma casa do século XVIII, moinhos de água, e três trilhos que cobrem escalas muito diferentes de exigência e paisagem.
É um dos pontos de entrada mais completos na natureza da Madeira — e um dos que se visitam com menos pressão de turismo do que as levadas mais conhecidas da ilha.







