O relógio faz “tique-taque”. O gato faz “miau”. A água a cair na piscina faz “splash”. São palavras que a maioria de nós usa desde criança, sem nunca ter pensado que têm um nome técnico próprio — e uma lógica linguística bastante interessante por trás.
O que é, exatamente, uma onomatopeia
Uma onomatopeia é uma palavra criada para imitar, o mais fielmente possível, um som real — seja de um animal, de um objeto, de uma pessoa ou de um fenómeno da natureza. Não representa o sentido de algo através de significado abstrato, como a maioria das palavras, mas sim através da própria sonoridade.
Onomatopeias que já se tornaram palavras “normais”
Algumas onomatopeias evoluíram para lá do simples som isolado, ganhando flexão gramatical completa e comportamento sintático de qualquer outra palavra. É o caso de “tique-taque”, que pode ser usado como substantivo (“o tique-taque do relógio”) e originou mesmo um verbo, “tiquetaquear”, que se conjuga normalmente em pessoa, tempo e número.
Cada língua imita o mesmo som de forma diferente
Um detalhe particularmente curioso: as onomatopeias não são universais. O latido de um cão, por exemplo, escreve-se “au-au” em português, mas “woof-woof” em inglês, “wan-wan” em japonês, ou “guau-guau” em espanhol — cada língua desenvolveu a sua própria forma de transcrever, com o seu próprio sistema sonoro, o mesmo som real.
Isto mostra que uma onomatopeia não é uma cópia perfeita do som, mas sim uma aproximação filtrada pelos padrões fonéticos específicos de cada idioma.
Onde as onomatopeias aparecem com mais frequência
Embora usadas ocasionalmente na fala do dia a dia, as onomatopeias são particularmente comuns em contextos específicos: histórias em quadrinhos (“bang!”, “boom!”, “splash!”), literatura infantil, poesia, e mais recentemente nas redes sociais, onde formas como “kkkkkk” (risada) se tornaram onomatopeias digitais amplamente reconhecidas.
Uma classe gramatical difícil de arrumar
Segundo o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, as onomatopeias colocam um desafio interessante à gramática tradicional: têm características tanto lexicais como frásicas — “bum!” pode representar tanto a palavra “explosão” como frases inteiras como “explodiu!” ou “houve uma explosão” — o que dificulta encaixá-las perfeitamente numa única categoria gramatical convencional.
Uma janela sonora dentro da própria língua
As onomatopeias são um dos poucos casos em que a língua portuguesa tenta, literalmente, reproduzir o mundo através do som das próprias palavras — uma pequena mas fascinante exceção à regra geral de que a relação entre palavra e significado costuma ser arbitrária.
Fontes
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