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Onde se vive mais tempo? As regiões portuguesas com maior esperança de vida

O INE revela que há mais de quatro anos de diferença entre as regiões portuguesas com maior e menor esperança de vida. Veja onde se vive mais - e porquê.

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Abr 14, 2026
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Em Portugal, nascer no Minho ou nascer nos Açores não é a mesma coisa, pelo menos em termos estatísticos. Os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), relativos ao triénio 2022-2024, mostram que a esperança de vida à nascença varia mais de quatro anos entre a região mais longeva e a mais curta do país. A média nacional situa-se nos 81,49 anos, mas esse valor esconde diferenças regionais que têm persistido ao longo das últimas décadas.

O INE calcula estes indicadores através de tábuas de mortalidade construídas a partir dos óbitos observados em três anos consecutivos e da população residente em cada região.

Os resultados são divulgados ao nível das NUTS III — sub-regiões que agrupam municípios com características demográficas e geográficas semelhantes. Não existem, por enquanto, dados comparáveis ao nível de cada município.

Esperança de vida · NUTS III · Portugal 2022–2024
Se vivesse noutra região, viveria mais quantos anos?
Há mais de 4 anos de diferença entre a região mais longeva e a mais curta de Portugal. Compara a tua região com qualquer outra e vê o que isso significa em meses, dias e fins de semana.
82,94
Máximo — Cávado
81,49
Média nacional
78,33
Mínimo — Açores

1. Cávado

A região do Cávado lidera de forma consistente o ranking nacional, com uma esperança de vida à nascença de 82,94 anos no triénio 2022-2024 — a única sub-região portuguesa que ultrapassa os 82 anos. O Cávado inclui municípios como Braga, Barcelos, Esposende, Vila Verde e Amares.

A juventude relativa da sua população, os níveis de emprego industrial e a densidade de serviços de saúde na área de Braga contribuem para este resultado. O paradoxo é real: uma região industrial e urbana, não uma aldeia do interior onde os centenários passam a vida a trabalhar a terra.

2. Ave

A região do Ave é a segunda mais longeva do país, com 82,18 anos de esperança de vida à nascença, incluindo municípios como Guimarães, Famalicão, Santo Tirso e Vizela.

O Ave partilha com o Cávado uma estrutura demográfica relativamente jovem para os padrões portugueses e uma forte dinâmica económica assente na indústria têxtil e no calçado.

Também nos 65 anos, o Cávado e o Ave registam os valores mais elevados do país: 21,00 e 20,80 anos, respetivamente, o que significa que quem chega à reforma nestas regiões tem ainda pela frente mais de duas décadas de vida esperada.

3. Área Metropolitana do Porto

A Grande Porto aparece consistentemente entre as sub-regiões que superam o valor nacional. No triénio 2021-2023, oito sub-regiões, todas incluídas nas regiões Norte e Centro, ultrapassaram o valor nacional de 81,17 anos: Cávado, Ave, Área Metropolitana do Porto, Região de Leiria, Região de Coimbra, Região de Aveiro, Alto Minho e Viseu Dão Lafões.

O padrão manteve-se nos dados de 2022-2024, com a AMP a figurar no grupo de regiões acima da média. A concentração de hospitais universitários, a população relativamente jovem e o acesso a cuidados de saúde especializados pesam neste resultado.

4. Região de Leiria

Leiria é uma das surpresas do ranking. Uma região de média dimensão, sem grande visibilidade nacional, que aparece repetidamente entre as mais longevas do país. Em triénios anteriores, como 2018-2020, a Região de Leiria foi das que mais se destacou, com 81,57 anos, a par da Região de Coimbra.

A combinação de um interior menos envelhecido do que outras zonas do Centro, boa cobertura de cuidados primários e um litoral dinâmico com municípios como Caldas da Rainha e Nazaré parecem explicar o desempenho constante.

5. Região de Coimbra

Coimbra integra de forma estável o grupo de regiões acima da média nacional. A presença dos Hospitais da Universidade de Coimbra, um dos maiores centros hospitalares do país, traduz-se em acesso a cuidados diferenciados que afeta os indicadores de mortalidade da região.

Os municípios da Região de Coimbra incluem, além da cidade universitária, concelhos como Cantanhede, Montemor-o-Velho e Penacova.

6. Região de Aveiro

A sub-região de Aveiro, que abrange municípios como Aveiro, Águeda, Oliveira de Azeméis e Santa Maria da Feira, aparece igualmente acima da média nacional em todos os triénios disponíveis.

Trata-se de uma das regiões com maior concentração industrial do país, mas também com bons indicadores de acesso a serviços de saúde e uma estrutura etária menos envelhecida que o interior.

7. Alto Minho

O Alto Minho — Viana do Castelo, Ponte de Lima, Arcos de Valdevez, Melgaço — integra o grupo das oito regiões que superam a média nacional.

A proximidade à Galiza, onde os indicadores de longevidade são também elevados, e um estilo de vida ligado ao exterior e à agricultura de subsistência podem ser fatores relevantes, embora os dados do INE não estabeleçam causalidade.

8. Viseu Dão Lafões

Viseu e os municípios circundantes, incluindo São Pedro do Sul e Mangualde, surgem acima da média nacional de forma consistente. É, dos oito casos, o único que corresponde a uma região do interior com tendência de envelhecimento demográfico acentuado. O resultado contraria a ideia de que o interior envelhece e morre mais cedo — pelo menos nesta sub-região.

Ranking de esperança de vida por região NUTS III em Portugal, triénio 2022-2024, segundo o INE.

81,49
Média nacional
82,94
Máximo — Cávado
78,33
Mínimo — Açores
Acima da média Na média (±0,3 anos) Abaixo da média
Fonte: INE, Tábuas de Mortalidade em Portugal — NUTS 2022-2024 (setembro 2025). Média nacional: 81,49 anos. Os valores das posições 9–25 são estimativas coerentes com os dados publicados.

O outro lado do mapa

A região do Cávado tem a maior longevidade, enquanto os Açores registam a mais baixa — 78,33 anos no triénio 2022-2024. No continente, é o Baixo Alentejo a região com menor longevidade. A Madeira situa-se também abaixo da média nacional, com 79,20 anos.

A diferença entre o topo e o fundo do ranking chega a superar os quatro anos e meio, um valor que os demógrafos consideram expressivo num país de dimensão relativamente reduzida.

As causas são múltiplas e raramente isoláveis. O acesso a cuidados de saúde, o rendimento médio, o nível de instrução, o envelhecimento da população residente e até as condições ambientais são variáveis que os estudos de saúde pública apontam como relevantes.

O INE não estabelece causalidade direta, mas os padrões são suficientemente estáveis para sugerir que a geografia influencia, de facto, os anos que se vivem.

O que diz a tendência

No triénio 2022-2024, a esperança de vida à nascença subiu para 81,49 anos, mais 0,32 anos face ao período anterior, retomando a trajetória de crescimento interrompida pela pandemia.

Os homens vivem em média até aos 78,73 anos, as mulheres até aos 83,96. A diferença entre sexos é de pouco mais de cinco anos e tem vindo a diminuir gradualmente nas últimas décadas.

Portugal está entre os países europeus com maior proporção de população idosa. Esse envelhecimento não é igual em todo o território: as áreas do Norte e Centro continuam a destacar-se pela maior longevidade, enquanto os Açores, a Madeira e o Baixo Alentejo registam estimativas mais baixas, uma assimetria que o país não tem conseguido reduzir de forma significativa.

Fonte: INE, Tábuas de Mortalidade em Portugal — NUTS 2022-2024, publicadas em setembro de 2025.

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