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As lendas mouras da região do Algarve

As lendas do Algarve remontam aos tempos antigos da ocupação árabe na região, talvez com o seu quê de verdade. Conheça três destas lendas algarvias.

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Moura encantada
Moura encantada

Quem pensa que o Algarve se baseia apenas em praias e diversão noturna está, literalmente, enganado. Uma região com séculos de história como o Algarve guarda sempre alguns segredos antigos e preserva, também, algumas lendas que despertam, realmente, a atenção dos mais curiosos.

Estas lendas são consideradas legados culturais dos tempos passados que, apesar de tudo, poderão ter o seu quê de verdade.

1. A moura encantada nas muralhas

Faro
Faro

Na época da tomada de Faro pelo rei D. Afonso III, a filha de um governador mouro apaixonou-se por um dos cavaleiros cristãos e consequentemente, facilitou a entradas destes mesmos na cidade. Quando ela se apercebeu que as suas tropas tinham sido vencidas pelas cristãs, tentou fugir juntamente com aquele por quem se tinha apaixonado, porém o seu pai apercebeu-se desta tentativa a tempo.

Assim sendo, o governador amaldiçoou a sua filha e condenou-a a ficar encantada durante toda a sua vida, nas muralhas de Faro, até chegar algum cavaleiro para a desencantar. Para isto, é necessário saber as palavras exatas para quebrar o encanto e não há nenhum homem que se sujeite a esta missão. Segundo a lenda, depois de tantos séculos, a princesa ainda se encontra encantada a vaguear pelas muralhas do castelo, à espera que chegue o milagre.

2. A moura da nora no Rio Seco

Faro
Faro – Joe Price

Depois da tomada do castelo de Faro, numa noite calma, um soldado cristão passava pelo Rio Seco, de onde ouviu duas vozes com um tom entristecido. Este tentou perceber o diálogo e rapidamente, deu conta de que a conversa ocorria entre uma jovem ajoelhada e um velho, ambos mouros.

– Lamento minha filha, mas vais ter de ficar aqui encantada. – disse o velho mouro.

A jovem com uma voz desanimada questionou: – E será por muito tempo meu pai?

– Até que esta nora, onde mandei construir o teu palácio, seja esgotada a baldes, sucessivamente e sem intervalos. – Seguido desta afirmação, o velho desaparece de forma subtil e a jovem lança-se para o fundo da nora.

No dia seguinte, o soldado voltou a este mesmo sítio e começou por retirar toda a água do engenho e quando conseguiu, finalmente, ver o fundo que já estava seco. De seguida, desceu com a ajuda de uma corda e assim que chegou ao fundo, deparou-se com uma grande serpente que devido ao susto que lhe causou, voltou a subir e a partir daí, nunca mais lá voltou. Segundo a lenda, a moura continuava a aparecer durante muitos anos, nesse mesmo sítio.

3. A serpente do Rio Seco

Faro
Sé de Faro

De acordo com a lenda anterior, na zona do Rio Seco havia um palácio onde vivia lá uma princesa moura com uma beleza única. Em determinado dia, um cavaleiro cristão acampou ali bem perto e assim que viu a jovem moura à janela, sentiu-se imediatamente apaixonado. A princesa não ficou indiferente à presença do cristão pois, um dia sonhara que tinha sido salva da sua solidão pelo mesmo. 

Decidiram partir juntos e viajar por outras terras. Assim que a princesa saiu do palácio, Alá encantou-a, transformando-a numa serpente que ficou presa para sempre num poço sem fundo.

Reza a lenda que, em noites de luar, é possível ouvir a serpente com voz de mulher a chorar pelo seu desgosto amoroso.

Há quem acredite verdadeiramente nestas lendas e há quem as veja como fruto da imaginação popular. Independentemente das opiniões, o certo é que estas nascem e mantém-se na história e cultura de uma determinada cidade, como é o caso destas três entre muitas outras lendas da região do Algarve.

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