VortexMag
  • Cultura
  • Sociedade
  • História
  • Viagens
  • Gastronomia
  • Lifestyle
  • Natureza
No Result
View All Result
VortexMag
No Result
View All Result
Home Notícias

D. Pedro V: provavelmente, o melhor governante que Portugal já teve

D. Pedro V foi rei durante seis anos, modernizou Portugal, visitou doentes durante as epidemias e morreu aos 24 anos. O melhor rei que Portugal quase teve.

VxMag by VxMag
Jul 8, 2026
in Notícias
0
D. Pedro V: provavelmente, o melhor governante que Portugal já teve

D. Pedro V: provavelmente, o melhor governante que Portugal já teve

Partilhar no FacebookGuardar no Pinterest

ArtigosRelacionados

Porque as begónias não florescem mesmo à sombra certa

Porque as begónias não florescem mesmo à sombra certa

Ago 17, 2026
Como proteger o jardim de caracóis e lesmas sem venenos agressivos

Como proteger o jardim de caracóis e lesmas sem venenos agressivos

Ago 17, 2026
Pensões em Portugal garantidas até 2070, segundo a Comissão Europeia - mas valor da reforma desce

Pensões em Portugal garantidas até 2070, segundo a Comissão Europeia – mas valor da reforma desce

Ago 16, 2026
Porque a roseira tem folhas com manchas pretas

Porque a roseira tem folhas com manchas pretas

Ago 16, 2026

D. Pedro V tinha a ideia de que um rei devia estar acessível aos seus súbditos de uma forma genuína. Por isso mandou colocar à porta do Palácio das Necessidades uma caixa verde, cuja chave ele próprio guardava, para que qualquer pessoa pudesse depositar ali queixas, pedidos ou críticas com a certeza de que chegavam directamente ao rei.

A experiência durou pouco. Em vez de queixas e pedidos, chegavam insultos. A suspeita, registada por Oliveira Martins, era que as injúrias não vinham do povo — vinham da classe política.

A caixa foi retirada. O gesto ficou.

Um rei formado para governar

D. Pedro V nasceu em 1837, filho de D. Maria II e de D. Fernando II de Saxe-Coburgo-Gotha. Quando a mãe morreu no parto do décimo primeiro filho, Pedro tinha dezasseis anos e era o herdeiro. Até à maioridade, o pai exerceu a regência.

A formação que recebeu era invulgar para a época. Alexandre Herculano — o historiador e escritor que mais fez pela modernização do pensamento português no século XIX — foi o seu tutor principal, e incutiu-lhe uma visão da governação centrada no bem comum e na responsabilidade pública. As competências técnicas e políticas foram desenvolvidas com o pai, o Rei Artista, que promovia activamente a arte e a cultura na corte portuguesa.

Aos doze anos, D. Pedro traduzia Virgílio, Tito Lívio e Cícero para português. Falava francês, alemão, inglês, grego e latim. Lia tudo — livros, revistas, publicações de economia. Quando visitou Inglaterra, Bélgica, Alemanha, Holanda, Áustria, França, Nápoles e a Santa Sé, não foram viagens de lazer: foram visitas sistemáticas a políticos, intelectuais e instituições, com o propósito explícito de aprender como se governava.

O diário que escreveu ao longo dessas viagens, os artigos que publicou em revistas, as cartas ao Conde de Lavradio e ao Príncipe Alberto de Inglaterra — tudo isso atesta uma inteligência e uma seriedade que os seus contemporâneos reconheciam como excepcionais.

O que fez em seis anos de reinado

D. Pedro V foi aclamado rei em 1855 e morreu em 1861. Seis anos. Nesse tempo: inauguraram-se os primeiros quilómetros da linha férrea do Norte; lançaram-se as primeiras linhas telegráficas; iniciou-se o primeiro cabo submarino entre Lisboa, os Açores e os Estados Unidos; fundou-se o Curso Superior de Letras, precursor do que viria a ser a Faculdade de Letras.

É um ritmo que sugere o que teria sido possível com mais tempo.

A epidemia e a caixa verde

Entre 1855 e 1856, Lisboa foi atingida por epidemias de cólera e febre amarela. Parte da população fugiu para a província. D. Pedro recusou sair da capital. Visitou hospitais, entrou nas enfermarias, conversou com os doentes. Quando percebeu que muitas crianças tinham ficado órfãs, pagou despesas do seu próprio bolso para as auxiliar.

Nas suas exéquias, o orador Alves Mendes citou palavras que o próprio rei tinha dito aos ministros durante a crise: “Diante da crise que dizima meus povos, não será meu coração que descanse, nem meu braço que deixe de trabalhar.”

Pode ser retorica post-mortem. Pode ser fiel ao original. O comportamento durante as epidemias, documentado por múltiplas fontes independentes, sugere que era ao menos coerente com o carácter que todos os que o conheceram descreveram.

D. Estefânia

A Rainha Vitória de Inglaterra, que admirava profundamente D. Pedro, procurou pessoalmente em toda a Europa uma princesa à sua altura. Encontrou D. Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen. Casaram por procuração em Berlim em abril de 1858, com a cerimónia em Lisboa em maio.

O rei apaixonou-se pela esposa. Ela por ele. Eram, pelos relatos da época, genuinamente felizes juntos.

Em julho de 1859, catorze meses depois do casamento, D. Estefânia morreu de difteria. D. Pedro não voltou a casar. Fundou um hospital com o nome dela, em Lisboa.

A morte

Em novembro de 1861, D. Pedro regressou de Vila Viçosa a Lisboa com sinais de doença. Morreu a 11 do mesmo mês, com vinte e quatro anos.

Alexandre Herculano, que o tinha formado e acompanhado ao longo de todo o reinado, chorou no funeral como uma criança — segundo os relatos da época. Para o maior historiador português do século XIX, D. Pedro V tinha “alma pura e nobreza excepcional.”

Ficou conhecido como o “Muito Amado” e como o “Esperançoso.” Morreu viúvo, sem filhos, sem ter podido mostrar o que poderia ter feito com mais tempo.

A questão que a história raramente consegue responder — o que teria sido Portugal se D. Pedro V tivesse vivido mais vinte ou trinta anos — é uma das mais tentadoras de toda a monarquia portuguesa. E uma das que ficará sempre sem resposta.

Ajude-nos a chegar mais longe

Gosta do que lê na VortexMag? Adicione-nos como fonte preferida no Google e passe a ver mais dos nossos artigos nos seus resultados de pesquisa.

Adicionar como Fonte Preferida  →
VxMag

VxMag

A VxMag é a assinatura editorial coletiva da Vortex Magazine. Os artigos publicados sob este nome são escritos e revistos pela equipa da redação, que cobre sociedade, cultura, viagens, tecnologia e atualidade com o mesmo compromisso de rigor e verificação de factos.

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Como limpar o micro-ondas sem esforço, com vapor de água e limão
Limpeza

Como limpar o micro-ondas sem esforço, com vapor de água e limão

by VxMag
Ago 23, 2026
0

Salpicos secos de comida colados às paredes do micro-ondas parecem exigir esfrega e produtos fortes — mas o truque mais...

Read moreDetails
Quando e como podar as roseiras para florescerem mais

Quando e como podar as roseiras para florescerem mais

Ago 23, 2026
Pudim Molotof: receita clássica de um doce que nunca sai de moda

Pudim Molotof: receita clássica de um doce que nunca sai de moda

Ago 23, 2026
Fatias de Tomar: a receita do doce conventual feito só com gemas

Fatias de Tomar: a receita do doce conventual feito só com gemas

Ago 23, 2026
Dom Rodrigo: a receita do doce algarvio de fios de ovos e amêndoa

Dom Rodrigo: a receita do doce algarvio de fios de ovos e amêndoa

Ago 23, 2026
Porque as folhas das plantas de interior ficam amarelas

Porque as folhas das plantas de interior ficam amarelas

Ago 23, 2026

© 2024 Vortex Magazine

Mais infomação

  • Ficha Técnica
  • Quem somos
  • Política de privacidade
  • Estatuto editorial

Redes Sociais

No Result
View All Result
  • Cultura
  • Sociedade
  • História
  • Viagens
  • Gastronomia
  • Lifestyle
  • Natureza

© 2024 Vortex Magazine