A 6 quilómetros de Chaves, na margem direita do Tâmega, o Castro de Curalha foi construído entre os séculos VIII e VII a.C. e ocupado até aos séculos II ou III d.C. — um período de cerca de mil anos que atravessou a cultura celta e chegou ao final do domínio romano da Península Ibérica.
É um dos vestígios arqueológicos mais bem conservados de Trás-os-Montes, e um Monumento Nacional.
A estrutura da povoação
O castro tinha três linhas de muralhas concêntricas em forma de pirâmide, com três portas e respetivas rampas de acesso. No interior, as casas eram circulares ou ovais, feitas em pedra com telhados de colmo, alinhadas ao longo das muralhas e com pátio interior.
Existia uma cisterna circular coberta por abóbada de pedra — com cerca de três metros de diâmetro e dois de profundidade — para armazenar água da chuva, um forno para cozer pão, e uma praça aberta no centro da povoação que serviria de espaço de encontro e mercado.
Toda a fortificação estava ligada à estrada romana que unia Chaves a Braga, uma das vias mais importantes da região para comunicação e comércio.
O abandono e a redescoberta
O castro foi abandonado no final do período romano, muito provavelmente com as invasões bárbaras e a decadência do Império. Ficou esquecido durante séculos, coberto pela vegetação, até ser redescoberto no século XIX por estudiosos locais e escavado no século XX por arqueólogos.
Os objetos encontrados nas escavações — cerâmica, bronze, moedas e outros artefactos — revelaram aspectos do quotidiano dos habitantes e das suas relações com outros povos. Alguns desses objetos estão hoje disponíveis para consulta através dos registos arqueológicos do local.
O pinheiro centenário
No centro do castro ergue-se um pinheiro manso com mais de 100 anos — símbolo tanto do castro como da aldeia. Diz-se que foi plantado por um padre para marcar o local onde se celebrava missa ao domingo, numa época em que o espaço já estava abandonado mas ainda era frequentado pelos habitantes de Curalha.
É o tipo de detalhe que coloca a história em camadas: um castro celta, com adaptações romanas, depois abandonado, depois marcado com um pinheiro para servir de altar improvisado.
A vista e o que se vê hoje
Do castro, a vista sobre o Tâmega, a aldeia de Curalha e os campos agrícolas em redor é ampla — o tipo de panorâmica que confirma porque este local foi escolhido para uma povoação defensiva. As muralhas, as casas e a cisterna são ainda distinguíveis para quem percorre o espaço com atenção.
O Castro de Curalha tem mil anos de ocupação contínua, três linhas de muralhas, casas que ainda se distinguem, uma cisterna com abóbada, e um pinheiro plantado por um padre para marcar onde se rezava missa num lugar que tinha sido abandonado séculos antes.
É uma sobreposição de histórias no mesmo lugar que poucas visitas de uma hora conseguem esgotar.







