VortexMag
  • Cultura
  • Sociedade
  • História
  • Viagens
  • Gastronomia
  • Lifestyle
No Result
View All Result
VortexMag
No Result
View All Result
Home Notícias

Cónios: o enigmático povo que habitou o Alentejo e o Algarve no tempo dos Lusitanos

Os Cónios habitaram o Alentejo e o Algarve durante séculos e tinham escrita própria antes de Roma. Um povo enigmático que ainda não conseguimos decifrar.

VxMag by VxMag
Jun 1, 2026
in Notícias
1
Cónios: o enigmático povo que habitou o Alentejo e o Algarve no tempo dos Lusitanos

Cónios: o enigmático povo que habitou o Alentejo e o Algarve no tempo dos Lusitanos

Partilhar no FacebookGuardar no Pinterest

ArtigosRelacionados

Como limpar o forno por dentro: o guia completo contra gordura e crostas queimadas

Como limpar o forno por dentro: o guia completo contra gordura e crostas queimadas

Jul 21, 2026
Como remover as manchas mais difíceis em casa: o guia prático para cada tipo de nódoa

Como remover as manchas mais difíceis em casa: o guia prático para cada tipo de nódoa

Jul 21, 2026
Como limpar o quarto a fundo: o guia completo para um espaço sempre fresco e livre de ácaros

Como limpar o quarto a fundo: o guia completo para um espaço sempre fresco e livre de ácaros

Jul 21, 2026
Glicínias: como plantar e cuidar desta trepadeira que enche o jardim de cor na Primavera

Glicínias: como plantar e cuidar desta trepadeira que enche o jardim de cor na Primavera

Jul 21, 2026

No Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa, e em vários museus do sul do país, existem pedras com inscrições que ninguém consegue decifrar completamente.

São estelas funerárias, na maioria, gravadas numa língua que os arqueólogos chamam escrita do sudoeste — o sistema de escrita mais antigo conhecido na Península Ibérica. Mais antigo que o latim, mais antigo que qualquer outra coisa que tenha sobrevivido neste território.

Pertencem aos Cónios. E os Cónios habitaram o Alentejo e o Algarve durante cerca de sete séculos, entre o século VIII a.C. e a chegada definitiva de Roma, sem que quase ninguém hoje saiba quem eram.

Um povo sem fortalezas, com escrita

A combinação é invulgar. A maior parte dos povos pré-romanos da Península que deixaram registos escritos eram também construtores de grandes estruturas defensivas — ópidos, castros, muralhas.

Os Cónios eram diferentes: viviam em aldeias de pedra e barro, sem grandes fortificações, organizados em tribos independentes lideradas por chefes locais. Não havia um Estado centralizado, não havia uma capital reconhecível, não havia um exército permanente.

Havia, no entanto, uma escrita. Gravada em pedra e em metal, com nomes, referências religiosas, palavras ligadas à guerra. Uma língua que os linguistas ainda debatem — com ligações possíveis a populações indo-europeias, aos antigos lígures, ou aos iberos autóctones, consoante a teoria que se seguir — e que permanece parcialmente opaca apesar de décadas de investigação.

É uma das ironias da arqueologia: um povo que não construiu muros para durar, mas que gravou palavras em pedra que resistiram três mil anos.

Fenícios, cartagineses e os lusitanos do norte

Os Cónios não viviam isolados. Comerciavam com fenícios e cartagineses, trocando metais e cerâmica por bens mediterrânicos, e mantinham contacto com os Tartessos, a civilização rica do sul da Península que floresceu e desapareceu antes do século VI a.C. Era um povo integrado nas redes do seu tempo, consciente do mundo para além das suas aldeias.

Com os lusitanos, que habitavam mais a norte, a relação era outra. A cidade cónia de Conistorgis — de localização ainda incerta, algures no sul do país — terá sido destruída num desses confrontos. Os detalhes perderam-se, mas o facto de a cidade aparecer nas fontes romanas associada à violência diz o suficiente sobre como era a vizinhança.

A religião cónia sobrevive apenas em fragmentos. Veneravam forças ligadas à natureza e à fertilidade, como quase todos os povos da Península neste período. O que é mais concreto é o que os romanos fizeram depois: alguns dos locais de culto cónios foram reutilizados pelas novas estruturas religiosas romanas.

As ruínas de Milreu, perto de Faro, e de Pisões, perto de Beja, guardam nessa sobreposição a memória de algo anterior que Roma absorveu sem nomear.

A romanização e o silêncio

A partir do século II a.C., Roma avançou pelo sul da Península com a consistência que a caracterizava. Os Cónios foram integrados progressivamente — não num momento único de conquista, mas numa absorção gradual que foi apagando a língua, os rituais, a identidade tribal.

O latim substituiu a escrita do sudoeste. As aldeias foram reorganizadas segundo o modelo romano. E os Cónios deixaram de ser Cónios para se tornarem simplesmente habitantes da Hispânia.

O que ficou são as estelas. Dezenas delas, espalhadas por museus e depositadas em campos do Alentejo e do Algarve, com inscrições que resistiram ao tempo melhor do que o povo que as gravou.

Linguistas e arqueólogos continuam a trabalhar nelas, a tentar extrair sentido de uma língua que não deixou dicionário nem gramática — apenas pedras com palavras, à espera de alguém que as consiga ler.

É um silêncio estranho, o dos Cónios. Um povo que teve o cuidado de escrever as suas coisas, e que ainda assim ficou sem voz.

Ajude-nos a chegar mais longe

Gosta do que lê na VortexMag? Adicione-nos como fonte preferida no Google e passe a ver mais dos nossos artigos nos seus resultados de pesquisa.

Adicionar como Fonte Preferida  →
VxMag

VxMag

Comments 1

  1. Jose says:
    2 meses ago

    Excelente

    Responder

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Como limpar o forno por dentro: o guia completo contra gordura e crostas queimadas
Notícias

Como limpar o forno por dentro: o guia completo contra gordura e crostas queimadas

by VxMag
Jul 21, 2026
0

Descubra o método passo a passo para eliminar gordura entranhada e crostas queimadas do forno, com bicarbonato, vinagre e sem...

Read moreDetails
Como remover as manchas mais difíceis em casa: o guia prático para cada tipo de nódoa

Como remover as manchas mais difíceis em casa: o guia prático para cada tipo de nódoa

Jul 21, 2026
Como limpar o quarto a fundo: o guia completo para um espaço sempre fresco e livre de ácaros

Como limpar o quarto a fundo: o guia completo para um espaço sempre fresco e livre de ácaros

Jul 21, 2026
Glicínias: como plantar e cuidar desta trepadeira que enche o jardim de cor na Primavera

Glicínias: como plantar e cuidar desta trepadeira que enche o jardim de cor na Primavera

Jul 21, 2026
Filodendro: o guia completo para cuidar desta planta de folhagem exuberante

Filodendro: o guia completo para cuidar desta planta de folhagem exuberante

Jul 20, 2026
Girassóis: como plantar e cuidar desta flor cheia de alegria no seu jardim

Girassóis: como plantar e cuidar desta flor cheia de alegria no seu jardim

Jul 20, 2026

© 2024 Vortex Magazine

Mais infomação

  • Ficha Técnica
  • Quem somos
  • Política de privacidade
  • Estatuto editorial

Redes Sociais

No Result
View All Result
  • Cultura
  • Sociedade
  • História
  • Viagens
  • Gastronomia
  • Lifestyle

© 2024 Vortex Magazine