VortexMag
  • Cultura
  • Sociedade
  • História
  • Viagens
  • Gastronomia
  • Lifestyle
No Result
View All Result
VortexMag
No Result
View All Result
Home Notícias

Lisboa: a rua onde o Rei exigiu que nada nascesse nunca mais

Em 1759, Pombal mandou salgar o chão do palácio do Duque de Aveiro para que nada voltasse a crescer. O beco em Belém ainda guarda o nome.

VxMag by VxMag
Jun 2, 2026
in Notícias
0
Beco do Chão Salgado

Beco do Chão Salgado

Partilhar no FacebookGuardar no Pinterest

ArtigosRelacionados

vacaria em lisboa

Quando as vacas passeavam por Lisboa e serviam leite ao copo

Jun 2, 2026
Padre Himalaia

Padre Himalaia: o português que criou a energia solar e uma máquina que fazia chover

Jun 2, 2026
Aldeia de Brotas: um segredo bem guardado no Alentejo

Aldeia de Brotas: um segredo bem guardado no Alentejo

Jun 1, 2026
Capela dos Ossos de Alcantarilha

Capela dos Ossos de Alcantarilha: um pequeno segredo para descobrir no Algarve

Jun 1, 2026

O Beco do Chão Salgado fica nas traseiras da Fábrica dos Pastéis de Belém. Quem passa não pára. Quem pára raramente sabe o que o nome significa. Mas o nome é literal — o chão foi salgado por ordem régia, num gesto que vem da antiguidade e que tem um significado preciso: aqui não deve nascer nada, nunca mais.

A ordem foi dada em 1759. O motivo foi um palácio que existia ali, e o homem que o habitava, e o que Pombal decidiu fazer a ambos.

O atentado que Pombal soube aproveitar

Em setembro de 1758, D. José I regressava de um encontro nocturno quando a sua carruagem foi alvejada. O rei saiu ferido mas vivo. O atentado era real — mas a investigação que se seguiu foi outra coisa.

Sebastião José de Carvalho e Melo, o ministro que governava Portugal na sombra do rei, viu no atentado uma oportunidade que não estava disposto a desperdiçar. A alta nobreza — a que tinha linhagem suficiente para o olhar de cima — precisava de ser quebrada. A família Távora, uma das mais poderosas do reino, era o alvo perfeito. O Duque de Aveiro, ligado aos Távoras por proximidade, entrou no pacote.

A investigação foi rápida e as provas foram o que foram. A 13 de janeiro de 1759, a sentença foi lida e executada em público, como demonstração calculada do que acontecia a quem Pombal decidia destruir. Vários membros da família Távora foram mortos. A Marquesa foi decapitada. O Duque de Aveiro foi esquartejado e as suas cinzas atiradas ao Tejo.

O palácio que habitava foi arrasado até ao chão.

O sal

E depois veio o sal.

Salgar o terreno de um inimigo derrotado é um gesto que vem da antiguidade clássica — os romanos fizeram-no a Cartago, ou pelo menos é o que a tradição diz. O significado é sempre o mesmo: não apenas destruir o que existe, mas impedir que alguma coisa volte a existir. Uma condenação do solo, não apenas do homem.

No lugar do palácio ergueu-se um obelisco com uma inscrição que condenava o duque à infâmia e ao esquecimento eterno. Nenhuma construção deveria ali nascer.

O beco ficou com o nome que ainda hoje tem.

A reabilitação que Pombal não viu

Pombal caiu em desgraça quando D. José I morreu, em 1777. A rainha que lhe sucedeu, D. Maria I — que ficaria conhecida como A Piedosa, e também como A Louca, consoante o momento — tinha razões pessoais e políticas para reverter o que o ministro tinha feito. Ordenou a reabilitação do nome da família Távora. Permitiu que o terreno fosse edificado.

O obelisco ficou. Talvez como aviso, talvez por inércia, talvez porque ninguém quis carregar com a responsabilidade de o retirar. Continua ali hoje, ladeado por passeios turísticos e pela fila para os pastéis, com a inscrição que Pombal mandou gravar e que D. Maria I não apagou.

Há qualquer coisa adequada nessa permanência. O Beco do Chão Salgado é um lugar onde dois impulsos opostos da história portuguesa — a violência fria do poder ilustrado e a reabilitação tardia da justiça — coexistem no mesmo espaço sem se resolverem. O chão foi salgado. Depois foi reabilitado. O nome ficou de qualquer forma.

Lisboa tem esse hábito: guardar nos nomes das ruas o que preferiria ter esquecido.

VxMag

VxMag

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

vacaria em lisboa
Notícias

Quando as vacas passeavam por Lisboa e serviam leite ao copo

by VxMag
Jun 2, 2026
0

Em 1887, Lisboa tinha cerca de 200 vacarias urbanas. Não nas margens da cidade, não em armazéns discretos nas traseiras...

Read moreDetails
Padre Himalaia

Padre Himalaia: o português que criou a energia solar e uma máquina que fazia chover

Jun 2, 2026
Beco do Chão Salgado

Lisboa: a rua onde o Rei exigiu que nada nascesse nunca mais

Jun 2, 2026
Costa da Caparica

A aldeia que nasceu do fogo: como um incêndio deu origem à Costa da Caparica

Jun 2, 2026
Aldeia de Brotas: um segredo bem guardado no Alentejo

Aldeia de Brotas: um segredo bem guardado no Alentejo

Jun 1, 2026
Capela dos Ossos de Alcantarilha

Capela dos Ossos de Alcantarilha: um pequeno segredo para descobrir no Algarve

Jun 1, 2026

© 2024 Vortex Magazine

Mais infomação

  • Ficha Técnica
  • Quem somos
  • Política de privacidade
  • Estatuto editorial

Redes Sociais

No Result
View All Result
  • Cultura
  • Sociedade
  • História
  • Viagens
  • Gastronomia
  • Lifestyle

© 2024 Vortex Magazine