A Aldeia das Dez, no concelho de Oliveira do Hospital, é uma das poucas aldeias da rede das Aldeias do Xisto construída inteiramente em granito — o que causa alguma estranheza a quem chega esperando o xisto escuro habitual.
É chamada “aldeia miradouro” porque quase todos os seus pontos proporcionam vistas sobre a serra envolvente: fica a 460 metros de altitude, na encosta norte do monte Colcurinho, delineada pelo rio Alvoco.
O nome e a lenda das dez mulheres
A origem do nome tem uma lenda bem conhecida pelos moradores: dez mulheres que viviam na região encontraram um tesouro no interior de uma caverna no monte Colcurinho, dividiram-no em dez partes iguais e prometeram nunca revelar o que tinham descoberto. O segredo passou de geração em geração — e o conteúdo do tesouro nunca ficou a saber-se.
A aldeia tem ocupação desde a época pré-romana — vestígios de um castelo luso-romano e moedas desse período foram encontrados no local. A freguesia foi fundada em 1543.
As fábricas de fósforos de 1860
Em 1860, quando surgiu pela primeira vez em Portugal a indústria dos fósforos, foram instaladas na Aldeia das Dez duas ou três fábricas que empregavam cerca de 50 operários.
A aldeia ganhou destaque nacional nesse período, e um dos edifícios dessa época ainda existe — não é visitável, mas faz parte da história de uma localidade que muito antes do turismo teve a sua própria indústria.
O que visitar
Igreja Matriz: mandada ampliar em 1727 com uma nave, duas capelas e cinco altares. O altar-mor tem uma pintura maneirista que representa o martírio de São Bartolomeu.
Igreja de Santa Maria Madalena: destacam-se a frontaria neoclássica e o retábulo no interior.
Casa quinhentista: junto à Igreja de Santa Maria Madalena, reconhecível pela chaminé e pelas molduras da porta principal.
Solar Pina Ferraz — Casa da Obra: conjunto de dois edifícios, o mais recente do século XIX e nunca terminado. O principal é uma casa senhorial de dois pisos com brasão dos Pereiras na fachada.
As quatro fontes: Fonte do Povo, Fonte do Soito Meirinho, Fonte do Cabo do Lugar e Fonte do Marmeleiro — construídas em granito, pontuam o percurso pela aldeia como elementos recorrentes de um cenário que nunca teve outra fonte de água.
Miradouro do Largo Alfredo Duarte: no coração da aldeia, com marco de correio e uma cabine telefónica vermelha que contrasta com o granito em redor.
Miradouro da Mimosa: à saída da aldeia em direção a Oliveira do Hospital, com paisagem direta para a serra.
Os percursos pedestres
Três trilhos partem do Largo Alfredo Duarte: o PR1 — Pelas Várzeas do Alvoco, circular de 20 quilómetros (cerca de 6 horas, considerado fácil mas de longa distância); o PR2 — Rota Imperial, 12 quilómetros em 3h30; e o PR3 — Nos Passos do Ermitão, 10 quilómetros em 2h30, o mais curto e acessível dos três.
Gastronomia e alojamento
A chanfana, o cabrito assado no forno, o feijão à pedreiro, os coscoréis e as cavacas à moda da aldeia definem a cozinha local.
À saída, o restaurante João Brandão — integrado no Hotel Rural Quinta da Geia — é assinado pelo chef holandês Frenkel de Greeuw e combina pratos típicos portugueses com influências internacionais. O Plano 5 Tapas Bar tem menu de tapas originais e vista sobre a serra.
Para pernoitar: Hotel Rural Quinta da Geia (21 quartos e 4 apartamentos), Casa dos Teares, Casa do Secolinho e Quinta Relva do Trigo.
A Aldeia das Dez é uma Aldeia do Xisto construída em granito, com um nome de lenda, vestígios pré-romanos, fábricas de fósforos no século XIX e três trilhos que partem do mesmo largo. É o tipo de aldeia que tem mais camadas do que a dimensão deixa prever.






