VortexMag
  • Cultura
  • Sociedade
  • História
  • Viagens
  • Gastronomia
  • Lifestyle
  • Natureza
No Result
View All Result
VortexMag
No Result
View All Result
Home Notícias

Lisboa: a rua onde o Rei exigiu que nada nascesse nunca mais

Em 1759, Pombal mandou salgar o chão do palácio do Duque de Aveiro para que nada voltasse a crescer. O beco em Belém ainda guarda o nome.

VxMag by VxMag
Jun 2, 2026
in Notícias
0
Beco do Chão Salgado

Beco do Chão Salgado

Partilhar no FacebookGuardar no Pinterest

ArtigosRelacionados

Como limpar e desinfetar o colchão: o guia completo para dormir melhor

Como limpar e desinfetar o colchão: o guia completo para dormir melhor

Ago 8, 2026
Porque a hortênsia muda de cor consoante o solo onde está plantada

Porque a hortênsia muda de cor consoante o solo onde está plantada

Ago 4, 2026
Oliveira em vaso: como cultivar esta árvore mediterrânica em casa ou na varanda

Oliveira em vaso: como cultivar esta árvore mediterrânica em casa ou na varanda

Ago 3, 2026
Boca-de-leão: como plantar e cuidar desta flor cheia de cor e caráter

Boca-de-leão: como plantar e cuidar desta flor cheia de cor e caráter

Ago 3, 2026

O Beco do Chão Salgado fica nas traseiras da Fábrica dos Pastéis de Belém. Quem passa não pára. Quem pára raramente sabe o que o nome significa. Mas o nome é literal — o chão foi salgado por ordem régia, num gesto que vem da antiguidade e que tem um significado preciso: aqui não deve nascer nada, nunca mais.

A ordem foi dada em 1759. O motivo foi um palácio que existia ali, e o homem que o habitava, e o que Pombal decidiu fazer a ambos.

O atentado que Pombal soube aproveitar

Em setembro de 1758, D. José I regressava de um encontro nocturno quando a sua carruagem foi alvejada. O rei saiu ferido mas vivo. O atentado era real — mas a investigação que se seguiu foi outra coisa.

Sebastião José de Carvalho e Melo, o ministro que governava Portugal na sombra do rei, viu no atentado uma oportunidade que não estava disposto a desperdiçar. A alta nobreza — a que tinha linhagem suficiente para o olhar de cima — precisava de ser quebrada. A família Távora, uma das mais poderosas do reino, era o alvo perfeito. O Duque de Aveiro, ligado aos Távoras por proximidade, entrou no pacote.

A investigação foi rápida e as provas foram o que foram. A 13 de janeiro de 1759, a sentença foi lida e executada em público, como demonstração calculada do que acontecia a quem Pombal decidia destruir. Vários membros da família Távora foram mortos. A Marquesa foi decapitada. O Duque de Aveiro foi esquartejado e as suas cinzas atiradas ao Tejo.

O palácio que habitava foi arrasado até ao chão.

O sal

E depois veio o sal.

Salgar o terreno de um inimigo derrotado é um gesto que vem da antiguidade clássica — os romanos fizeram-no a Cartago, ou pelo menos é o que a tradição diz. O significado é sempre o mesmo: não apenas destruir o que existe, mas impedir que alguma coisa volte a existir. Uma condenação do solo, não apenas do homem.

No lugar do palácio ergueu-se um obelisco com uma inscrição que condenava o duque à infâmia e ao esquecimento eterno. Nenhuma construção deveria ali nascer.

O beco ficou com o nome que ainda hoje tem.

A reabilitação que Pombal não viu

Pombal caiu em desgraça quando D. José I morreu, em 1777. A rainha que lhe sucedeu, D. Maria I — que ficaria conhecida como A Piedosa, e também como A Louca, consoante o momento — tinha razões pessoais e políticas para reverter o que o ministro tinha feito. Ordenou a reabilitação do nome da família Távora. Permitiu que o terreno fosse edificado.

O obelisco ficou. Talvez como aviso, talvez por inércia, talvez porque ninguém quis carregar com a responsabilidade de o retirar. Continua ali hoje, ladeado por passeios turísticos e pela fila para os pastéis, com a inscrição que Pombal mandou gravar e que D. Maria I não apagou.

Há qualquer coisa adequada nessa permanência. O Beco do Chão Salgado é um lugar onde dois impulsos opostos da história portuguesa — a violência fria do poder ilustrado e a reabilitação tardia da justiça — coexistem no mesmo espaço sem se resolverem. O chão foi salgado. Depois foi reabilitado. O nome ficou de qualquer forma.

Lisboa tem esse hábito: guardar nos nomes das ruas o que preferiria ter esquecido.

Ajude-nos a chegar mais longe

Gosta do que lê na VortexMag? Adicione-nos como fonte preferida no Google e passe a ver mais dos nossos artigos nos seus resultados de pesquisa.

Adicionar como Fonte Preferida  →
VxMag

VxMag

A VxMag é a assinatura editorial coletiva da Vortex Magazine. Os artigos publicados sob este nome são escritos e revistos pela equipa da redação, que cobre sociedade, cultura, viagens, tecnologia e atualidade com o mesmo compromisso de rigor e verificação de factos.

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Porque as esponjas da cozinha são um dos objetos mais sujos de casa
Limpeza

Porque as esponjas da cozinha são um dos objetos mais sujos de casa

by VxMag
Ago 11, 2026
0

A esponja que usas para limpar a loiça pode, na realidade, estar entre os objetos com mais bactérias de toda...

Read moreDetails
Como se formam os furacões e porque só nascem em certas zonas do oceano

Como se formam os furacões e porque só nascem em certas zonas do oceano

Ago 11, 2026
Como limpar janelas e vidros sem deixar marcas ou riscas

Como limpar janelas e vidros sem deixar marcas ou riscas

Ago 11, 2026
Como limpar e desinfetar escovas e pentes de cabelo

Como limpar e desinfetar escovas e pentes de cabelo

Ago 11, 2026
Arroz doce à portuguesa: uma receita repleta de tradição

Arroz doce à portuguesa: uma receita repleta de tradição

Ago 11, 2026
Arroz de pato à moda de Braga: receita tradicional que sai sempre bem

Arroz de pato à moda de Braga: receita tradicional que sai sempre bem

Ago 11, 2026

© 2024 Vortex Magazine

Mais infomação

  • Ficha Técnica
  • Quem somos
  • Política de privacidade
  • Estatuto editorial

Redes Sociais

No Result
View All Result
  • Cultura
  • Sociedade
  • História
  • Viagens
  • Gastronomia
  • Lifestyle
  • Natureza

© 2024 Vortex Magazine