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Viriato: o guerreiro Lusitano que afinal era espanhol

Figura icónica da história portuguesa, Viriato terá vivido afinal em território espanhol. Descubra como nasceu e sobreviveu o mito lusitano.

VxMag by VxMag
Set 14, 2025
in História
3
Viriato: o guerreiro Lusitano que afinal era espanhol

Viriato: o guerreiro Lusitano que afinal era espanhol

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A figura de Viriato resiste ao tempo. Evocada em estátuas, livros escolares e discursos identitários, ela ocupa um lugar firme na memória coletiva dos portugueses. Mas será que o herói lusitano era, afinal, espanhol?

Durante séculos, o nome de Viriato foi sinónimo de bravura, liderança e resistência. Pintado como pastor vindo dos Montes Hermínios, terá comandado os lusitanos contra o avanço romano no século II a.C. Porém, à medida que a historiografia moderna se aprofunda, o chão por baixo deste mito nacional começa a abanar.

O território e a lenda

A ligação entre Viriato e Portugal deve-se mais à construção da memória do que à geografia factual. Carlos Fabião, arqueólogo e professor da Universidade de Lisboa, é claro: o território onde Viriato atuou corresponde hoje sobretudo ao sul de Espanha, entre a Andaluzia e a Extremadura.

Os romanos usavam o termo “lusitanos” para descrever genericamente os povos do interior peninsular ocidental, sem rigor territorial ou étnico.

A ideia de que Viriato teria nascido na atual Serra da Estrela — os míticos Montes Hermínios — não é sustentada por fontes antigas. Nem Posidónio nem Diodoro, que escreveram sobre o guerreiro, o associam diretamente a essa região.

E mesmo José Mattoso, embora reconheça o valor simbólico de Viriato, sublinha que há pouca base factual que o situe em solo português.

Uma figura moldada ao gosto do tempo

Se a realidade é dúbia, a utilização política da figura de Viriato é inequívoca. A sua imagem foi aproveitada durante o Estado Novo, particularmente na Exposição do Mundo Português de 1940, onde foi erigida uma estátua em Viseu.

Na época, o regime viu em Viriato um símbolo de coragem e autenticidade nacional, ideal para o discurso patriótico.

Curiosamente, esse mesmo regime viria a afastar-se dele nos anos seguintes. Durante a Guerra Colonial, a imagem do guerreiro que resistia ao invasor tornou-se desconfortável, por evocar paralelos com os povos colonizados. Viriato deixou, então, de ser figura de destaque nos manuais escolares.

Herói por empréstimo?

Mesmo com os factos a apontar noutra direção, Viriato continua a ser considerado um símbolo português. Não tanto pelo que foi, mas pelo que representa. A sua história alimenta o imaginário coletivo de resistência, bravura e ligação à terra.

A verdade histórica talvez o afaste de Portugal, mas a verdade simbólica continua a ligá-lo ao país. Afinal, como muitos mitos fundadores, Viriato é mais do que um homem — é um espelho das narrativas que escolhemos contar sobre nós próprios.

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Comments 3

  1. Antonio Aranguren says:
    9 meses ago

    No existían, en tiempos de Viriato, ni España ni Portugal. Los lusitanos eran una tribu íbera cuyo territorio estaba en lo que es actualmente el oeste de Extremadura y el Elentejo.
    Muchas gracias por sus publicaciones.
    Un cordial saludo.

    Responder
  2. Henrique Luz Rodrigues says:
    9 meses ago

    Existe uma estátua a Viriato em Zamora sugerindo a importância deste para os espanhóis.

    Responder
  3. LSouza says:
    1 semana ago

    o tal Viriato conforme os fatos históricos, pertence mais a historia da Espanha, do que de Portugal. mas os fanáticos discípulos de um maldito galego de nome Luis de Camoes , continuam a repetir as mesmas fantasias do nef ando escritor dos Lusíadas um monte de anedotas e fábulas sem crédito algum . assin. LSOUZA.

    Responder

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