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Tradições portuguesas: 16 coisas que só existem em Portugal

São pedaços de história, costumes do nosso povo que tornam Portugal um país único e singular. Descubra 16 tradições portuguesas.

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tradições portuguesas
Filigrana Portuguesa

 

Uma tradição é algo que se transmite de geração em geração e que define o carácter e a personalidade de um povo, a alma de um país. As tradições portuguesas são muito variadas e são fruto da influência de séculos de história e do contacto com a terra, com o mar e com os outros povos. Ao longo do tempo, muitas das tradições portuguesas acabaram por desaparecer e outras, seguindo o rumo natural da história, acabaram por surgir. Das cantigas de amor aos bordados do Minho, do Fado ao Galo de Barcelos, das Romarias aos Santos Populares… descubra 16 tradições portuguesas que nos enchem o coração de orgulho.

 

1. Fado

A origem do fado, um estilo musical tipicamente português, é de difícil localização temporal e geográfica. Mesmo assim, pensa-se que o fado de Lisboa terá nascido a partir dos cânticos do povo muçulmano, marcadamente dolentes e melancólicos. Outras teorias apontam para a origem do fado no lundum, música dos escravos brasileiros que teria chegado até nós através dos marinheiros, cerca de 1820. Outra hipótese remete para os trovadores medievais cujas canções contêm características que o fado conserva. As cantigas de amigo revelam semelhanças com alguns temas recorrentes do Fado de Lisboa, assim como as cantigas de amor possuem a áurea romântica do Fado de Coimbra.

Fado
Fado

A crítica política e social tão típica do Fado tem correspondência nas cantigas de escárnio e maldizer. Nos centros urbanos de Lisboa e do Porto, o fado é um fenómeno situado nas zonas mais antigas da cidade, e é cantado em casas típicas, onde a decoração alusiva ao fado – o xaile negro e a guitarra portuguesa – está sempre presente. Os temas mais recorrentes passam pelo amor, a tragédia, as dificuldades da vida, e a saudade, daí o seu tom triste e lamentoso. A ideia do destino (a palavra fado deriva do latim fatum, que significa destino) como uma força implacável que está para além da vontade humana é essencial para a compreensão deste estilo musical.

 

2. Artesanato

O Artesanato Português tem uma forte ligação à cultura popular e é muito característico das zonas rurais, onde as tradições permanecem vivas, essencialmente transmitidas de forma oral de geração em geração. Cada região tem o seu artesanato tradicional e peculiar, de acordo com o modo de viver das gentes locais, e no seu todo constituem a beleza policromática que deslumbra os turistas, que andam sempre à procura de uma peça tradicional quando visitam Portugal. O artesanato é uma riqueza da tradição portuguesa destacando-se a joalharia, a tapeçaria, as rendas, os bordados, a tecelagem, a cestaria e a cerâmica pintada.

Coração de Viana
Coração de Viana

Nos últimos anos, em função de uma ligação mais estreita com o design, o artesanato português urbano tem associado a produção manual a um visual mais moderno e adaptado ao estilo actual. Existem nos dias de hoje, muitos artesãos de negócios de pequena dimensão, os quais abastecem a demanda crescente destes produtos tradicionais portugueses, assim como lojas vocacionadas para o artesanato português. A joalharia, a porcelana e a faiança, sectores tradicionais do artesanato português de primeira linha, apresentam produtos tradicionais portugueses vincados pela qualidade de uma tradição secular de braço dado com o design actual. O artesanato português, bem como outras manifestações de ordem cultural, evoluiu com a própria sociedade portuguesa e é actualmente motivo de um reinventar constante, como o artesanato urbano.

 

3. Azulejos

A partir dos finais do século XV, princípios do XVI, quando a decoração ornamental muçulmana teve um papel importante na arte portuguesa, foi estimulado o desenvolvimento do azulejo. Eram feitas encomendas de azulejos às cerâmicas mouriscas de Sevilha e então dominava o gosto por superfícies completamente cobertas com azulejos, que permitiam uma melhor compreensão da organização geométrica das formas. Na segunda metade do século XVI chegam a Portugal azulejos vindos das oficinas flamengas e espanholas de Talavera e Sevilha. Por influência destes centros, Portugal aprendeu o método de fabrico e pintura de faianças (de origem italiana), o uso de composições figuradas e a divulgação da última decoração renascentista que exerceu a sua influência durante o século XVII.

Estação de São Bento
Estação de São Bento

Do Oriente chegou o sentido do brilho, exuberância e fantasia de motivos ornamentais, especialmente através dos tecidos, e o uso das cores intensas. Da China veio o azul da porcelana, que na segunda metade do século XVII deu ao azulejo composições já sem carácter repetitivo, cheias de dinamismo, de formas em movimento. Nos finais do século XVII, princípios do século XVIII, Portugal importou da Holanda grandes quantidades de azulejo, absorvendo a pureza e o refinamento dos materiais, assim como a ideia de especialização de pintores.

 

4. Caretos de Podence

De chocalhos à cintura e vara na mão, os caretos têm o diabo no corpo. Correm, saltam, dançam, perseguem as raparigas solteiras, intimidam visitantes. A brincar a brincar, este Carnaval recicla tradições e enche de orgulho o povo da aldeia de Podence. As festas de Domingo Gordo e do dia de Carnaval em Podence são da inteira responsabilidade dos Caretos, seres mágicos que vivem nas máscaras e nos trajes exuberantes, que invadem as ruas desta aldeia para a expurgar dos males e purificar. E, claro está, dar umas “chocalhadas” nas raparigas casadoiras…

expressões típicas transmontanas
Caretos de Podence

Esta forma de celebrar o Carnaval vem do tempo dos romanos, embora alguns autores reportem as festividades ao período do Neolítico. Certo é que os rituais estavam ligados à entrada na Primavera e à necessidade das sociedades agrícolas terem boas colheitas. A tradição esteve em risco de se perder nos anos 60, por causa da guerra colonial e da imigração, que afastaram os homens desta aldeia do concelho de Macedo de Cavaleiros. Vinte anos depois, a tradição foi recuperada. Hoje, é uma atracção turística. A arte de fazer máscaras e disfarces deste género no Carnaval não é exclusiva de Podence, sendo também famosos os Caretos de outras aldeias transmontanas, como os Caretos de Lazarim, por exemplo.

3 COMENTÁRIOS

  1. ótimas essas informações. Sou de Cuiabá-Mato Grosso-Brasil. Aqui é um pedaço do antigo Portugal, com muitos resquícios lusitanos.

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