Há um tipo de contrato de eletricidade em que o preço que paga por mês não é fixo — sobe e desce consoante o que acontece no mercado grossista de energia. Em fevereiro de 2026, esse mercado atingiu mínimos históricos recentes. Quem estava no tarifário indexado pagou cerca de metade do preço do mercado regulado.
Mas este tarifário não é para toda a gente — e perceber porquê é tão importante quanto perceber como funciona.
O que é o tarifário indexado
No tarifário indexado, o preço do quilowatt-hora varia todos os meses consoante os valores praticados no mercado ibérico de eletricidade, o OMIE. A empresa fornecedora compra a energia a esse preço e acrescenta uma margem de lucro — idealmente próxima dos meio cêntimo por kWh.
É diferente do mercado livre com preço fixo, onde o valor contratado se mantém estável durante o período acordado. No indexado, quando o mercado está barato, a poupança pode ser expressiva. Quando está caro, o tarifário torna-se desvantajoso — e é preciso agir.
O que aconteceu em fevereiro de 2026
O enchimento das barragens portuguesas levou a um aumento significativo da produção hidroelétrica, que fez colapsar o preço da eletricidade no mercado grossista.
Nos primeiros nove dias de fevereiro, a média situou-se nos 4 euros por megawatt-hora — um contraste dramático face a janeiro, que terminou nos 71 euros por megawatt-hora.
Na prática, isso traduziu-se num preço de cerca de 8 cêntimos por kWh em fevereiro para quem estava no tarifário indexado. No mercado regulado, o valor ronda os 16 cêntimos. Uma família com consumo mensal de 300 kWh poderia poupar cerca de 20 euros num único mês — ou 240 euros por ano, se a tendência se mantivesse.
Segundo a análise dos futuros do OMIE disponível em fevereiro, os preços não deveriam ultrapassar os 50 euros por megawatt-hora até junho — uma janela de poupança potencial de pelo menos quatro meses.
O erro que faz parecer que se está a poupar quando não se está
Há uma armadilha em que muitos consumidores caem ao comparar tarifários: olhar apenas para o preço da energia na fatura e ignorar as Tarifas de Acesso às Redes, as TAR.
Para uma comparação justa, é sempre necessário somar cerca de 6 cêntimos ao preço da energia apresentado pelo comercializador indexado, mais a margem de lucro se não estiver já incluída. Sem esse ajuste, o tarifário indexado parece muito mais barato do que realmente é — e a poupança calculada não se confirma na fatura real.
Para quem faz sentido – e para quem não faz
O tarifário indexado é adequado para quem está disposto a acompanhar regularmente os preços no OMIE, não tem problema em mudar de fornecedor rapidamente quando os preços sobem e consegue reagir antes que a vantagem desapareça.
Para quem prefere estabilidade, previsibilidade na fatura mensal e não quer gastar tempo a monitorizar o mercado energético, um tarifário de preço fixo — no mercado regulado ou no mercado livre — é provavelmente a opção mais adequada. A potencial poupança do indexado não compensa o trabalho de gestão ativa se esse trabalho não for feito.
Como aderir
O simulador gratuito da ERSE em simuladorprecos.erse.pt permite comparar os tarifários disponíveis no mercado. Também é possível contactar diretamente os comercializadores ou usar plataformas de comparação que tratam de todo o processo de mudança.
Mudar de comercializador é gratuito e sem burocracia para o consumidor — a empresa de destino trata de toda a transição.
A incógnita deste tarifário é sempre a mesma: as barragens cheias que baixaram os preços em fevereiro dependem de condições meteorológicas que não se controlam. Se a afluência às albufeiras diminuir, os preços podem subir rapidamente.
Quem adere precisa de estar preparado para monitorizar a situação — e para sair quando o mercado deixar de ser favorável.







