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Passadiços de São Mamede de Ribatua: o Vale do Tua desceu mais 3,5 quilómetros

Os Passadiços de São Mamede de Ribatua, em Alijó, abriram em março de 2026. São 3,5 km entre cascatas de 30 metros, poços naturais e vinhas no Vale do Tua transmontano.

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Abr 21, 2026
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A ribeira desce depressa. Desde a aldeia de São Mamede de Ribatua até à albufeira do Tua, o desnível é abrupto e a água não perde tempo — cascatas sucessivas, poços naturais, quedas entre os 25 e os 30 metros que fazem o som antes de se mostrarem.

Os passadiços que inauguraram em março de 2026 não suavizaram esse carácter. Seguem a ribeira de perto, pelo terreno que ela escolheu, e isso nota-se em cada troço.

As 300 vagas para a caminhada inaugural esgotaram em dois dias. Quem chegou a tempo percebeu porquê.

O percurso e o que a água vai revelando

Os 3,5 quilómetros de passadiços ligam a ponte romana de São Mamede à albufeira do Tua, por zonas que até há pouco eram praticamente inacessíveis — escarpas, vegetação densa, orografia que não convidava à visita sem estrutura de apoio. A madeira dos passadiços resolve o problema técnico sem resolver o da paisagem, que continua a ser exigente e imprevisível.

Ao longo da descida, vinhas, olivais e laranjeiras aparecem entre as escarpas rochosas. É o Douro a lembrar que esta é uma paisagem trabalhada há séculos, mesmo onde parece mais selvagem.

O contraste entre as quedas de água e os terrenos cultivados em socalco é um dos elementos mais específicos deste percurso — não se encontra noutros passadiços portugueses com esta configuração.

Os poços formados pelas cascatas têm água fria e transparente. No verão, a tentação de mergulhar é real. No inverno e na primavera, quando o caudal está no máximo, a escala das quedas muda completamente — o som amplifica, a névoa de água chega a quem caminha, e a experiência é mais dramática do que qualquer fotografia consegue transmitir.

Dois percursos para dois ritmos

A partir dos passadiços é possível fazer dois percursos circulares, ambos com início e fim em São Mamede de Ribatua. O curto tem cerca de sete quilómetros, dificuldade média-baixa, e concentra-se na descida pela ribeira. Demora duas a três horas, dependendo do ritmo e do número de vezes que se para.

O percurso longo estende-se por dez quilómetros, sobe mais, e abre vistas panorâmicas sobre o Vale do Tua que a versão curta não alcança. A dificuldade é média — não é percurso para iniciantes sem preparação física, mas também não exige nenhuma competência técnica especial. Conta com três a quatro horas, sem pressa.

A sinalização está definida, mas uma aplicação de GPS ajuda a não perder os desvios, especialmente na versão longa.

Quando ir

A primavera é o momento certo — o caudal está alto, as cascatas no máximo, as temperaturas ainda amenas para uma descida com este desnível. O outono também funciona, com a vegetação a mudar de cor nas encostas do Douro e a luz mais baixa e mais quente.

No verão, o calor torna a caminhada mais exigente, mas os poços compensam quem não resiste. No inverno, o piso fica escorregadio após chuva — atenção redobrada nos troços em terra batida.

Calçado com grip, água, protetor solar e lanche são o básico. Na aldeia há cafés e restaurantes. No trilho, não há nada — o que é parte do argumento.

Os passadiços de São Mamede chegam a um Vale do Tua que já tinha a albufeira, os trilhos homologados de Alijó e o Tua Festival de Percursos Pedestres no calendário. Acrescentam um percurso que não esconde a aspereza do terreno transmontano — e que é melhor exatamente por isso.

A ribeira não foi domesticada. Foi tornada acessível. São coisas diferentes, e a diferença sente-se nos pés desde o primeiro degrau de madeira até à água da albufeira lá em baixo.

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