Em janeiro de 2025, a região à volta de Santorini, na Grécia, começou a tremer — não com um único sismo forte, mas com mais de mil tremores sucessivos, obrigando à evacuação de mais de 11 mil pessoas. Os sismólogos deram-lhe um nome específico: enxame sísmico.
Diferente de um sismo normal
Num sismo típico, existe um padrão bem conhecido: um grande abalo principal, seguido de réplicas cada vez mais fracas e cada vez mais espaçadas no tempo, até a atividade se extinguir.
Um enxame sísmico funciona de forma completamente diferente: centenas, ou mesmo milhares, de tremores de magnitude semelhante, sem nenhum sismo claramente dominante, que pode continuar durante dias, semanas ou até meses.
O que normalmente causa um enxame
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), a maioria dos enxames sísmicos é provocada pela interação de fluidos — sobretudo água — com falhas geológicas já existentes.
Ao contrário do magma, que precisa de um canal relativamente largo para não solidificar dentro da rocha, a água consegue infiltrar-se através de fissuras muito mais pequenas no subsolo, aumentando gradualmente a pressão sobre falhas próximas e provocando múltiplos pequenos deslizamentos em vez de um único grande.
A ligação, por vezes ambígua, com vulcões
Embora os enxames sísmicos sejam particularmente comuns em zonas vulcânicas e geotérmicas — Yellowstone, nos Estados Unidos, é um exemplo bem documentado — também podem ocorrer em regiões sem qualquer atividade vulcânica associada.
Esta ambiguidade é precisamente o que torna os enxames sísmicos tão desafiantes para os cientistas: quase todas as erupções vulcânicas são precedidas por um enxame sísmico, mas a maioria dos enxames sísmicos em zonas vulcânicas nunca resulta numa erupção.
Porque geram tanta preocupação pública
Segundo investigação especializada, esta relação inconsistente entre enxames e erupções já provocou inúmeros alarmes falsos ao longo da história, com impactos económicos e sociais reais em comunidades próximas de vulcões ativos — evacuações precaucionárias, encerramento de negócios, ansiedade generalizada, mesmo quando a erupção nunca chega a acontecer.
No caso do enxame de Santorini em 2025, com mais de mil tremores subaquáticos registados e vários acima de magnitude 5, sismólogos gregos consideraram que a atividade podia indicar uma expansão do complexo vulcânico da região — sem que isso significasse, de forma automática, uma erupção iminente.
Como os cientistas tentam distinguir os dois cenários
Os sismólogos comparam estatisticamente cada novo enxame com padrões históricos de enxames anteriores, no mesmo local e noutros locais semelhantes, procurando pistas subtis — a profundidade dos tremores, o ritmo a que se sucedem, se estão a migrar espacialmente ao longo do tempo — que possam ajudar a distinguir um enxame de origem puramente hidrotermal de um que precede uma verdadeira erupção.
Um sinal que exige vigilância, não pânico automático
Um enxame sísmico é, acima de tudo, um lembrete de como o subsolo do nosso planeta está em constante e complexo movimento — um fenómeno que a ciência já sabe reconhecer com clareza, mas cujas consequências finais continuam, em muitos casos, genuinamente imprevisíveis até ao último momento.
Fontes
Gosta do que lê na VortexMag? Adicione-nos como fonte preferida no Google e passe a ver mais dos nossos artigos nos seus resultados de pesquisa.






