Portugal tem uma das redes de caixas automáticas mais acessíveis da Europa — mas a ideia de que levantar dinheiro no Multibanco é sempre gratuito já não é inteiramente verdade. Há situações concretas em que surgem comissões, e a maioria dos utilizadores não as antecipa.
Saber distinguir quando se paga — e quanto — evita surpresas no extrato bancário.
A distinção que mais importa: rede SIBS ou operador privado
As caixas da rede Multibanco oficial são identificadas pelo logótipo azul e branco e operadas pela SIBS. Com cartão de débito nacional, os levantamentos nesta rede são gratuitos. Simples.
O problema surge nas máquinas de operadores privados — como a Euronet —, muito comuns em zonas turísticas, aeroportos e centros históricos. Estas caixas podem aplicar taxas próprias, especialmente quando se usa cartão de crédito ou cartão emitido por banco estrangeiro. A taxa tem de aparecer no ecrã antes de confirmar a operação — mas quem não lê atentamente confirma sem saber que vai pagar.
A regra prática é esta: antes de introduzir o PIN, ler sempre a mensagem apresentada no ecrã. Se aparecer um valor de taxa, há ainda tempo para cancelar.
Cartão de crédito num Multibanco: um erro que sai caro
Usar o cartão de crédito para levantar dinheiro parece igual a usar o cartão de débito. Não é.
Este tipo de operação é tratado como cash advance — e na maioria dos bancos implica uma comissão fixa entre quatro e cinco euros, uma percentagem sobre o valor levantado próxima dos quatro por cento, e cobrança de juros a partir do próprio dia da operação, sem período de graça.
Em cartões mistos — com débito e crédito no mesmo suporte —, é essencial escolher explicitamente a opção “débito” no início da operação. Não escolher pode significar que a operação é processada como crédito sem que o utilizador se aperceba.
Cartões de bancos digitais e estrangeiros
Quem usa cartões de instituições como a Revolut, o N26 ou a Wise deve verificar as condições do próprio banco. Estes cartões podem não pagar qualquer taxa à rede Multibanco — mas estão frequentemente sujeitos a limites mensais de levantamentos gratuitos definidos pela instituição emissora. Ultrapassar esse limite implica comissões que variam consoante o plano contratado.
Outro ponto a ter em conta: sempre que aparecer no ecrã a opção de conversão dinâmica de moeda, a escolha mais vantajosa é recusar e ser debitado em euros. A taxa de câmbio aplicada pelo banco emissor do cartão é, na generalidade dos casos, mais favorável do que a taxa da máquina.
Consultas de saldo e movimentos
Nas caixas da rede Multibanco, a consulta de saldo é em regra gratuita para cartões nacionais. A impressão de talões ou a consulta de movimentos pode ter custo em alguns preçários quando é ultrapassado um número de consultas mensais. A alternativa mais simples — e sem qualquer encargo — é usar a aplicação do próprio banco.
Para manter as operações sem custo, a regra mantém-se clara: cartão de débito nacional nas caixas da rede Multibanco, leitura atenta do ecrã antes de confirmar, e evitar levantamentos com cartão de crédito salvo em caso de necessidade real.







