Durante anos, as moedas de 1 e 2 cêntimos acumularam-se em frascos, carteiras e porta-luvas. Hoje, o seu futuro está a ser repensado. A Comissão Europeia e o Banco Central Europeu mantêm em análise a eliminação progressiva destas denominações em toda a Zona Euro, apoiados por argumentos económicos, ambientais e práticos.
Os estudos mais recentes indicam que cerca de 70% dos cidadãos europeus concordam com a medida. Em cima da mesa está a generalização de regras de arredondamento nos pagamentos em numerário, mantendo os preços e os pagamentos digitais inalterados.
Um custo de produção que não compensa
Um dos principais motivos para a discussão é simples: fabricar moedas de 1 e 2 cêntimos custa mais do que o seu valor. Entre extração de metais, cunhagem, transporte e logística, cada moeda representa uma perda para os cofres públicos.
Estimativas europeias apontam para prejuízos acumulados superiores a 1,4 mil milhões de euros desde a introdução do euro.
Países que já avançaram
Portugal ainda mantém estas moedas em circulação normal, mas vários países já adoptaram o arredondamento nos pagamentos em dinheiro:
- Bélgica, Países Baixos, Finlândia e Irlanda aplicam arredondamento obrigatório para os 5 cêntimos mais próximos;
- Itália deixou de cunhar moedas de 1 e 2 cêntimos em 2018;
- Eslováquia aderiu ao sistema em 2022.
Nestes casos, as moedas continuam a ser meio de pagamento legal, mas deixaram de ser usadas como troco no dia a dia.
Como funciona o arredondamento
O modelo proposto é simples e transparente. O arredondamento incide apenas sobre o total da compra paga em numerário:
- totais que terminem em 1, 2, 6 ou 7 cêntimos são arredondados para baixo;
- totais que terminem em 3, 4, 8 ou 9 cêntimos são arredondados para cima.
Exemplo: uma conta de 9,92 € passa a 9,90 €; uma de 9,94 € passa a 9,95 €.
Pagamentos digitais não mudam
Importa sublinhar que o arredondamento não se aplica a pagamentos com cartão, MB Way ou outros meios electrónicos. Nestes casos, o valor cobrado continua a ser o preço exacto apresentado.
O impacto esperado
| Área | Efeito previsto |
|---|---|
| Custos públicos | Redução significativa de despesas de produção |
| Ambiente | Menor extração de metais e menos transporte |
| Consumidor | Carteiras mais leves e filas mais rápidas |
| Comércio | Menos gestão de trocos e depósitos |
Um caminho que parece inevitável
Embora as moedas de 1 e 2 cêntimos continuem a circular em Portugal, a tendência europeia aponta para a sua retirada prática do quotidiano. A mudança simplifica pagamentos, reduz custos e responde a uma preferência crescente dos consumidores.
Para quem ainda guarda cêntimos em casa, pode ser o momento certo para os depositar numa conta bancária ou doá-los a uma causa social — antes que passem definitivamente do bolso para a história.







