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Dodô: a fantástica ave que os portugueses caçaram até à extinção

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Dodô

O Dodô era um pássaro que vivia nas Ilhas Maurícias, localizada na costa da África. Esta ave desapareceu no século 17 com a chegada dos colonizadores ao seu habitat. Parecido com um pombo gigante e um pouco maior que um peru, o dodô pesava cerca de 20 quilos e fazia parte da família Raphidae.

Dodô
Dodô

As suas penas possuíam variações de cores, sendo geralmente brancas como também com tons de cinza e preto. Tinha um bico alongado e recurvado na ponta e sua dieta era basicamente a base de peixes, sementes e frutas. Contendo asas pequenas e frágeis, que foram atrofiando com o tempo, os dodôs perderam a habilidade de voar. Eram aves mansas e inofensivas. Isto porque os dodôs não tinham predadores naturais nas Ilhas Maurícias.

Dodô
Dodô

O facto de estas aves não conseguirem voar e serem inofensivas, se tornaram presas fáceis para os humanos.

Exploradores portugueses e holandeses, na falta de alimentação em seus navios, desembarcavam famintos nas ilhas e se alimentavam do dodô, cuja carne não tinha o mesmo prestígio gastronómico de outras aves do porte, como o ganso e o peru, porém era muito apreciada e farta. Atacavam a ave com pedradas e pauladas, até desfalecerem.

Dodô
Dodô

Existe duas explicações para a etiologia da palavra dodô. Muitos acreditam que a denominação tenha surgido devido ao canto da ave que era um som de ‘doe-doe’. Outros afirmam derivar de seu caminhar desajeitado, em português arcaico qualificado de ‘doudo’, ou seja, doido.

Além de matarem muitos dodôs, os humanos ainda levavam consigo cães, ratos, porcos, macacos, gatos e outros animais para as Ilhas Maurícias. Lá, esses animais atacavam e comiam os ovos dos pássaros, que eram colocados no solo. Com toda a matança, a espécie foi sumindo aos poucos e foi declarada extinta oficialmente em 1681.

Dodô
Dodô

Segundo pesquisas feitas posteriormente em fósseis dos dodôs, descobriu-se que as sementes que alimentavam estas aves, pertenciam a uma árvore chamada Calvária. Os 13 exemplares desse vegetal que habitam as ilhas possuem mais de 300 anos, ou seja, são da mesma época em que os dodôs foram extintos.

Os dodôs comiam as sementes da árvore, e só quando as sementes passavam pelo aparelho digestivo do pássaro é que ficavam activas, podendo crescer.

Dodô
Dodô

Descobriu-se mais tarde que era possível conseguir o mesmo efeito se as sementes fossem comidas por perus. A árvore que estava desaparecendo foi salva e agora é conhecida por árvore-dodô.

Com a tecnologia evoluindo constantemente, aperfeiçoando as técnicas de sequenciamento de genomas e aprimorando o conhecimento sobre clonagem, existe um grande debate ético entre pesquisadores, sobre a possibilidade de “ressuscitar” espécies extintas, como o Dodô.

 

2 COMENTÁRIOS

  1. A ilha foi descoberta pelos portugueses em 1505, mas colonizada pelos holandeses a partir de 1598. O último espécime foi avistado em 1662 (informação de António Jorge Marques).

  2. Sendo que os portugueses passaram pela costa oriental de África, chegando à Índia em 1498 duvido que tivessem chegado às ilhas Maurícias pela primeira vez apenas no século XVII. Outra coisa que duvido que esteja correcta: estando os portugueses, tanto como os holandeses, armados com armas de fogo, (no século XVII) iam perder tempo a tentar caçar atirando pedras e batendo no animal com paus? Mais do que violência desnecessária parece-me atribuição de malvadez exagerada aos que caçaram este pássaro. Mesmo que não tivessem armas de fogo, o uso de armadilhas e o facto de possuírem facas e espadas também faz o uso do pau parecer demasiado primitivo para não dizer ridículo. Em terceiro lugar, mesmo desconhecendo a quantidade de aves presentes nesta ilha, é difícil acreditar que estas aves foram extintas em pouco tempo apenas pelo consumo dos navegantes famintos que paravam nas ilhas para as aguadas. O número de vezes e o período de tempo em que estas paragens aconteciam não eram suficientes e rápidos o suficiente para a extinção que se deu. Creio que mais do que a caça terão sido outros factores, nomeadamente a introdução de novas espécies animais na ilha que mais terão contribuído para a extinção. De resto, ainda hoje se sabe as graves consequências para um ecossistema local da introdução de espécies novas. Obviamente na altura este facto não devia ser tão conhecido.

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