No concelho de Freixo de Espada à Cinta, dentro do Parque Natural do Douro Internacional, o trilho Ribeira do Mosteiro — Calçada de Alpajares é conhecido pela alcunha que o terreno justifica: Calçada do Diabo.
Um percurso circular de 8 quilómetros, com dificuldade média, que combina geologia visível, arqueologia, fauna protegida e paisagem mediterrânea num único trajeto de aproximadamente 3 horas.
O percurso
O trilho começa na foz da ribeira do Mosteiro e segue para norte, atravessando a ribeira num pontão e subindo depois pela Calçada do Diabo até ao Castro de São Paulo.
Continua até ao Picão de Ana, desce novamente até à ribeira, passa pela calçada antiga e atravessa pela Ponte das Alminhas antes de regressar ao ponto de partida pela estrada municipal.
Para quem quer variar, existem dois percursos alternativos: um que deriva em direção à aldeia de Poiares pelo Castro de São Paulo, e outro que segue para o Castro de Alva e a Barca d’Alva, derivando na foz da ribeira.
O percurso está bem marcado, tem painéis interpretativos ao longo do caminho e uma área de merendas. A primavera, o outono e o inverno são as melhores épocas — o calor de verão nesta zona do Douro pode ser intenso.
As dobras nos quartzitos
Um dos pontos de interesse mais imediatos para quem presta atenção às rochas são as dobras, camadas verticais e falhas nos quartzitos que afloram ao longo do percurso — uma sequência de deformações geológicas visíveis à superfície, sem necessidade de equipamento ou conhecimento especializado para perceber que algo invulgar aconteceu a esta rocha.
Os castros e o património cultural
O Castro de São Paulo e o Castro de Alva têm vestígios arqueológicos que documentam ocupação humana anterior ao período romano nesta zona do Douro Internacional.
Ao longo do percurso surgem também moinhos de água abandonados, pombais, parcelas agrícolas tipicamente mediterrâneas com amendoais, laranjais e olivais, o casario tradicional de Poiares e a estação ferroviária de Barca d’Alva — uma das estações mais isoladas e mais fotogénicas de Portugal.
A cegonha-negra
A fauna do Parque Natural do Douro Internacional inclui espécies típicas de zonas rochosas com especial relevância para conservação.
A cegonha-negra — mais rara e mais discreta do que a branca — é uma das espécies que habitam estas arribas e que pode ser avistada em voo ao longo do percurso.
O que existe nos arredores
Entre finais de fevereiro e início de março, as amendoeiras em flor pintam a paisagem de rosa e branco — uma das visões mais características desta zona da Beira Interior.
As Arribas do Douro, nos miradouros do Penedo Durão e do Carrascalinho, dão a perspetiva sobre o rio que o trilho não cobre completamente. As gravuras rupestres de Foz Côa e o museu associado completam um roteiro pela região. As aldeias de Castelo Melhor e Almendra são paragens típicas para fechar o dia.
A Calçada do Diabo é um trilho de 8 quilómetros com três camadas simultâneas — geologia visível nas rochas, arqueologia nos castros, e ecologia na cegonha-negra — num parque natural que guarda algumas das paisagens mais selvagens do interior norte de Portugal.






