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A aldeia que foi vendida por D. Afonso Henriques a troco de um cavalo e uma mula em 1146

Figueiró da Granja, em Fornos de Algodres, foi vendida por D. Afonso Henriques em 1146 por um cavalo e uma mula. Castro da Idade do Cobre, pelourinho manuelino e arte sacra.

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Jun 7, 2026
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Figueiró da Granja

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No município de Fornos de Algodres, no centro de Portugal, existe uma aldeia cuja história começa com uma transação que a memória local ainda comenta com algum espanto: em 1146, D. Afonso Henriques vendeu estas terras a Egas Gonçalves por um cavalo e uma mula.

Quinze anos depois, Egas Gonçalves doou o lugar ao Mosteiro Cisterciense de São João de Tarouca — o que significa que o primeiro proprietário privado as cedeu de graça ao fim de pouco tempo.

Durante quase um século, os habitantes pagaram renda à Ordem pela utilização das casas e terrenos. Em 1243, conquistaram autonomia. E logo a seguir construíram quatro capelas nos pontos cardeais da aldeia, para assegurar a proteção dos santos — um gesto que diz algo sobre a relação desta comunidade com o território que finalmente controlava.

O Castro de Santiago e o que havia antes de tudo isto

A 612 metros de altitude, o Castro de Santiago tem dois penedos graníticos que durante a Idade do Cobre foram transformados em recintos fortificados. A vista daí sobre o sopé da Serra da Estrela é ampla — e o Castro é a prova mais clara de que Figueiró da Granja existia, em alguma forma, muito antes de D. Afonso Henriques ter decidido vendê-la por dois animais.

A igreja, a talha e o museu de arte sacra

A Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Graça foi construída por volta do século XII, em estilo românico, simples e primitivo.

O que existe hoje resulta de uma reconstrução dos séculos XIX e XX — pouco resta do aspeto original, mas o interior tem talha dourada que cobre boa parte dos elementos decorativos com a densidade característica das intervenções barrocas tardias.

O Museu Paroquial de Arte Sacra, instalado na Fábrica da Igreja Paroquial, reúne o que foi sendo recolhido da sacristia e da casa paroquial ao longo dos anos: paramentos litúrgicos, livros, crucifixos, imagens e estátuas em madeira.

É o tipo de coleção que não tem peças de museu nacional mas que conta uma história local com uma precisão que os grandes museus raramente conseguem.

O pelourinho manuelino e o fontanário de 1905

O pelourinho data do século XVI e tem três metros de altura — coluna octogonal em granito que se alarga num segundo corpo em losango com escudo manuelino e esfera armilar no topo. É um dos elementos mais trabalhados da aldeia e um dos raros exemplares manuelinos desta dimensão no interior da Beira Alta.

O fontanário foi construído em 1905, com duas bicas e tanque retangular. Não tem a história do pelourinho, mas tem a função que durante décadas organizou o quotidiano da aldeia — e a inscrição da data que alguém considerou importante registar na pedra.

Figueiró da Granja é uma aldeia de montanha no centro de Portugal que a maioria das pessoas não conhece. Foi vendida por dois animais, doada quinze anos depois, e a comunidade que ali vivia esperou um século para ter a sua própria autonomia.

Quando a conseguiu, construiu quatro capelas nos limites da aldeia. É uma história de resistência discreta — e a pedra que ali existe ainda conta boa parte dela.

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