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Dornes: a mítica aldeia dos Templários

Dornes: a mítica terra dos Templários
Dornes: a mítica terra dos Templários

Dornes está implantada numa estreita península cercada pela albufeira de Castelo de Bode. A água envolve a aldeia em três lados, e o quarto lado é o único acesso terrestre.

É uma posição geográfica que explica tanto a beleza do lugar como a razão pela qual os Templários a escolheram — quem controlava esta língua de terra controlava a passagem do rio.

A torre pentagonal que se ergue junto à Igreja de Nossa Senhora do Pranto é o vestígio mais visível dessa presença. Construída em xisto, com cinco lados — uma configuração única em Portugal — e atribuída a Gualdim Pais, mestre da Ordem do Templo e uma das figuras centrais da história medieval portuguesa, a torre tinha função de vigilância sobre o Zêzere antes de a albufeira existir e de o rio se transformar no lago quieto que hoje envolve a aldeia.

A torre e a igreja

A torre pentagonal não era apenas funcional — a sua forma é uma anomalia arquitetónica que os especialistas continuam a estudar. Cinco lados em vez de quatro ou redonda, em xisto da região, com localização estratégica sobre o curso de água.

Não há outro exemplar com estas características em Portugal, o que torna Dornes um ponto de referência na história da arquitetura militar templária no território português.

A Igreja de Nossa Senhora do Pranto, a poucos metros, continua a ser local de culto ativo e destino de romaria anual. Fora dessa data, o adro tem uma vista ampla sobre a paisagem fluvial — a albufeira, a floresta nas margens, o silêncio que a água amplifica em vez de quebrar.

A aldeia e a água

Com a criação da albufeira de Castelo de Bode, Dornes transformou-se numa ilha quase completa. Essa circunstância, que poderia ter isolado a aldeia, tornou-a num destino.

A água transparente da albufeira, as praias fluviais nas margens, os passeios de barco e os trilhos que percorrem a floresta envolvente fazem de Dornes um ponto de chegada para quem procura silêncio a menos de duas horas de Lisboa e a 90 minutos de Coimbra.

Os trilhos pedestres são acessíveis e passam por miradouros sobre a albufeira, por manchas de floresta densa e por pontos de banho em águas calmas. É o tipo de turismo que não exige preparação especial — só tempo disponível e disposição para caminhar devagar.

O peixe e os sabores do Zêzere

A gastronomia de Dornes é a do rio: fataça, enguias, lagostins. A carne de porco com amêijoas do rio é um dos pratos menos comuns na ementa nacional e mais característicos desta região do Zêzere.

Nos doces, os sabores tradicionais de mel, abóbora e frutos secos definem uma cozinha de interior que não precisa do mar para se justificar.

A oferta de alojamento local cresceu nos últimos anos, acompanhando o aumento da procura. A aldeia manteve, até agora, a escala que a torna diferente dos destinos de turismo de massa — pequena, com poucas casas, pouca gente permanente e muito espaço em redor.

Ao fim da tarde, quando a luz muda sobre a albufeira e a torre pentagonal fica recortada contra o céu, Dornes tem a aparência de um lugar que nunca precisou de se promover para existir.

Os Templários escolheram-na pela posição estratégica. Quem a visita hoje escolhe-a pelo silêncio e pela água. A razão mudou; o lugar é o mesmo.

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VxMag

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