No concelho de Paredes, o rio Sousa corta entre duas arribas formando um corredor estreito conhecido como a “Boca do Inferno”. O Parque da Senhora do Salto organiza-se em torno desse desfiladeiro — parte da Rota do Românico, parte da Rede Natura 2000, e um dos pontos de lazer mais acessíveis das chamadas Serras do Porto.
Há passadiços e uma ponte suspensa sobre a Boca do Inferno, de onde se vê o rio comprimido entre as paredes rochosas. É um percurso adequado para crianças, com os cuidados habituais perto de água e altura.
O que se faz no parque
Para além da contemplação, a Senhora do Salto é destino de desportos de montanha — BTT, rappel, escalada. Um dos trilhos sobe ao topo da Serra de Santa Iria, com vista desimpedida sobre toda a paisagem envolvente.
O Trilho do Alvre é um percurso circular de 3,5 quilómetros, feito em cerca de hora e meia sem pressas. É oficial mas não está bem sinalizado — vale a pena levar GPS ou aplicação de navegação, porque partes do percurso afastam-se do rio Sousa. Onde é possível, caminhar junto à margem é a opção mais simples e mais bonita.
A Rede Natura 2000 protege os habitats desta zona, e é possível observar andorinhas-das-rochas e falcões-peregrinos em voo sobre as arribas — espécies que dependem precisamente do tipo de terreno escarpado que o desfiladeiro oferece.
O parque de merendas e o rio que não convida a banhos
Junto à capela existe um parque de merendas com bancos à beira do rio e árvores que dão sombra — um sítio convidativo para piqueniques em família. O que não é recomendável é entrar na água: o rio Sousa nesta zona pode ser traiçoeiro, fundo e com correntes fortes. A recomendação é resistir à tentação e ficar pela contemplação.
A lenda da Senhora do Salto
Numa pedra aplanada existem cinco covas que deram origem a uma lenda recorrente nestas paisagens rochosas: um cavaleiro, perseguido por um leão ou veado que seria a encarnação do Diabo, terá caído ali — e sobrevivido apenas graças à proteção de Nossa Senhora. As covas na pedra seriam as marcas das patas e do focinho do cavalo.
A capela de Nossa Senhora do Salto terá sido mandada construir pelo próprio cavaleiro, em agradecimento. É uma lenda que segue o padrão de tantas outras espalhadas pelo país — um perigo, uma intervenção divina, um monumento construído como gratidão.
Couce e as outras aldeias das Serras do Porto
A 20 minutos da Senhora do Salto fica Couce, uma das aldeias de xisto mais bem preservadas perto do Porto — ruas e casas recuperadas que permitem imaginar o quotidiano de décadas atrás.
Alvre, Senande e Sarnada são outras aldeias das Serras do Porto que merecem visita, cada uma com o seu carácter e os seus moradores dispostos a conversar.
Como chegar
O parque está em Aguiar de Sousa. A partir daí, segue-se a sinalética até ao desvio para o Parque Natural — uma estrada estreita e de declive acentuado em direção ao rio.
No estacionamento, seguindo para a esquerda encontram-se os pilares de um grande viaduto; seguindo para a direita está a Senhora do Salto propriamente dita, com o rio, a ponte de madeira e uma pequena cascata entre as duas paredes rochosas.
A Senhora do Salto fica a poucos minutos do Porto e tem a escala certa para um dia inteiro — trilhos, lendas, desportos de montanha e um desfiladeiro que ganhou o nome de Boca do Inferno por razões que se percebem ao vê-lo de perto. Leve água e merenda. O resto está lá.







