O Fafião é um dos maiores afluentes do Cávado e percorre 12 quilómetros dentro do Parque Nacional da Peneda-Gerês antes de se fundir com o rio principal.
Tem piscinas naturais acessíveis a famílias, um poço com quarenta metros de profundidade que só se entra com cordas e um troço de canoagem considerado dos mais técnicos e perigosos do país. São três experiências completamente diferentes no mesmo rio — dependendo de onde se entra e do que se está disposto a fazer.
Da nascente ao Porto da Laje
A nascente fica em pleno parque nacional, numa zona de pastagens de altitude onde o gado é levado nos meses quentes — as fichinhas, como lhes chamam localmente. Por aqui passa o trilho da Vezeira, com enquadramento paisagístico único, mas recomendado a caminhantes experientes ou com guia.
O rio segue até ao Porto da Laje, uma represa construída na década de 1950 que desvia as águas em túnel durante 14 quilómetros até à Barragem de Paradela. A barragem tem uma praia fluvial de areia fina e branca encostada a bosques frondosos — um dos pontos de lazer mais acessíveis desta parte do Gerês.
Antes do Porto da Laje, o prado da Touça tem um conjunto de piscinas naturais chamadas poços, entre as quais o Escorrega da Touça — um poço que é o terminus de um escorrega natural em rocha polida pela água. É o tipo de coisa que as crianças fazem durante horas sem precisar de mais nada.
O Fafião Superior: bosques, escarpas e quarenta metros de profundidade
Entre o Porto da Laje e o Poço da Cabriteira está o Fafião Superior — o troço mais exigente e mais impressionante do rio. As paredes das escarpas sobem trinta metros acima da água, o sol só entra entre as onze da manhã e as duas da tarde, e os bosques autóctones fecham-se sobre o leito de uma forma que torna o percurso lento mesmo para quem tem experiência.
É aqui que está um dos maiores poços do Parque Nacional da Peneda-Gerês — quarenta metros de profundidade, ladeado por escarpas de trinta metros. A única entrada faz-se por um salto de mais de oito metros a jusante. Depois de descer ao Poço da Cabriteira, é necessário descer outro poço inferior numa queda de vinte metros suspensos por corda, sem apoios na rocha.
Não é um percurso para curiosos. O Poço da Pereira, um pouco acima, é onde o canoagem técnico começa — um dos percursos mais desafiantes do país, onde não se entra sem cordas e sem experiência real em aguas rápidas encaixadas.
Nos cumes das escarpas há habitats de águias de asa redonda e águias cobreiras — tão distantes da presença humana que raramente são perturbadas.
O Poço Verde e as Dornas
Na terceira parte do percurso, o rio abranda. As paredes afuniladas abrem-se e a paisagem muda de carácter.
O Poço Verde fica a poucos metros da aldeia de Fafião — verde-escuro, transparente, com trutas visíveis no fundo. É o orgulho da aldeia e o ponto de mergulho mais popular para quem vem de fora. Na Ponte da Pigarreira, mesmo ao lado, há um parque de merendas, uma fonte de água da serra e as Piscinas do Fafião — onde o rio Conho se funde com o Fafião.
A partir daqui, o rio segue por poços mais pequenos, moinhos abandonados e praias de areia fina escondidas entre a vegetação. O Moinho e Lagar de Azeite Comunitários ainda funciona — o lagar, pelo menos. O Poço da Cancela, com mais de vinte metros de profundidade, é outro ponto de mergulho para quem quer algo mais do que as piscinas da ponte.
O Fafião termina nas Dornas, onde as suas águas se misturam com o Cávado. É um fim discreto para um rio que, ao longo dos 12 quilómetros anteriores, foi quarenta metros abaixo do nível do mar, escorregadio, técnico, verde e fundo — às vezes tudo ao mesmo tempo.
O Fafião escapa à afluência do Gerês mais visitado não por ser difícil de encontrar mas por não se deixar consumir facilmente. Tem partes acessíveis e partes que exigem cordas.
Tem poços para crianças e poços onde não se entra sem experiência. É um rio que pede que se decida previamente o que se quer dele — e que recompensa quem chega com essa decisão feita.






