A 150 metros do Palácio do Freixo, no Porto, a Quinta de Villar D’Allen pertence à mesma família desde 1839, quando John Allen — um comerciante inglês ligado ao vinho do Porto — a comprou em leilão público.
Quase 200 anos depois, os descendentes dos Allen ainda guiam as visitas, partilhando histórias da família e da propriedade com quem passa pelos cinco jardins e pela casa principal.
É classificada como Edifício de Interesse Público, e justifica a classificação.
O jardim que foi o primeiro do género em Portugal
O jardim geométrico, à frente da casa principal, é o mais antigo e o mais formal da propriedade: buxos recortados, canteiros floridos e um lago com repuxo. Foi o primeiro jardim construído em Portugal ao estilo romântico, inspirado nos modelos ingleses — um detalhe que o coloca num lugar específico na história da jardinagem portuguesa.
O jardim paisagista, a norte da casa, foi criado por Alfredo Allen — filho de John Allen e Visconde de Villar D’Allen — com caminhos sinuosos, falsas ruínas e espécies vegetais exóticas.
Foi este Alfredo que introduziu em Portugal algumas plantas raras, entre as quais as famosas camélias de Villar D’Allen — variedades que vieram do estrangeiro e que a quinta foi desenvolvendo e preservando ao longo de gerações.
Os outros três jardins completam o conjunto: o jardim das rosas, o jardim das hortênsias e o jardim das magnólias, cada um com personalidade própria, todos disponíveis para visita.
A casa, a biblioteca e a capela
A casa principal é um exemplo de arquitetura romântica e revivalista que conserva a decoração original do século XIX — mobiliário, porcelana, pintura e escultura que refletem o gosto e a cultura da família Allen ao longo de quase dois séculos.
A biblioteca tem cerca de 10 mil volumes, alguns raros e valiosos, acumulados pelas várias gerações que habitaram e enriqueceram a propriedade.
A Capela de Nossa Senhora da Conceição tem altar em talha dourada e um órgão de tubos do século XVIII. O espaço recebe ocasionalmente concertos de música clássica e coral — uma função que prolonga a vida cultural da quinta para além da visita ao jardim.
Como visitar
As visitas são guiadas pelos próprios descendentes dos Allen, o que as diferencia de qualquer outra visita a uma propriedade histórica do Porto. Ao longo do ano, a quinta recebe também concertos, exposições de arte, workshops e eventos temáticos que tornam cada visita potencialmente diferente da anterior.
A Quinta de Villar D’Allen é uma propriedade que existe há quase 200 anos sem nunca ter saído da mesma família — o que significa que as histórias que se contam nas visitas guiadas têm o peso de quem as herdou e as escolheu preservar.
O primeiro jardim romântico de Portugal e as camélias que um visconde trouxe de fora são apenas os começos de uma visita que raramente tem a atenção que merece.







