Sociedade

Porque o k, o w e o y só passaram a fazer parte do alfabeto da língua portuguesa em 1990

Porque o k, o w e o y só passaram a fazer parte do alfabeto da língua portuguesa em 1990, depois de décadas proscritas desde o início do século XX.

Porque o k, o w e o y só passaram a fazer parte do alfabeto da língua portuguesa em 1990
Porque o k, o w e o y só passaram a fazer parte do alfabeto da língua portuguesa em 1990

Durante quase todo o século XX, três letras que hoje parecem completamente normais — k, w e y — não faziam oficialmente parte do alfabeto da língua portuguesa. Apareciam em nomes estrangeiros e símbolos, mas eram, tecnicamente, letras “banidas”.

Um alfabeto de apenas 23 letras

Antes de 1990, o alfabeto português oficial tinha apenas 23 letras, excluindo o k, o w e o y. Segundo a Wikipédia, estas três letras estavam proscritas do alfabeto português desde 1911 em Portugal, e desde 1943 no Brasil — decisões tomadas em reformas ortográficas anteriores que tentaram simplificar e “aportuguesar” a escrita.

Onde estas letras ainda apareciam, apesar da proibição

Mesmo com o estatuto de letras não oficiais, o k, o w e o y continuavam a aparecer em contextos muito específicos: nomes próprios estrangeiros e seus derivados (como “Darwin” e “darwinismo”), símbolos internacionais (k para potássio, km para quilómetro) e unidades monetárias estrangeiras (como o kwanza angolano).

O Acordo Ortográfico de 1990 devolveu-lhes o estatuto oficial

Foi o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, assinado em Lisboa a 16 de dezembro desse ano pelos países de língua oficial portuguesa, que formalmente reintroduziu estas três letras no alfabeto, elevando o total de 23 para 26 letras.

Segundo a Academia Brasileira de Letras, esta inclusão reconhecia, essencialmente, uma prática que já existia informalmente há décadas — os dicionários já registavam palavras com estas letras, mesmo sem estatuto alfabético oficial.

Porque a mudança demorou tanto a ser aplicada

Apesar de assinado em 1990, o Acordo Ortográfico só entrou em vigor de forma faseada em Portugal a partir de 2009, com um período de transição de vários anos — o que significa que, na prática, muitos portugueses aprenderam na escola um alfabeto de 23 letras, e só mais tarde na vida passaram a usar oficialmente as 26 letras atuais.

Uma curiosidade sobre as vogais

Do total de 26 letras do alfabeto atual, apenas cinco representam vogais — a, e, i, o, u — segundo esclarece o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. A letra y ocupa uma posição particular, podendo funcionar como vogal, semivogal ou consoante, consoante a palavra em que aparece.

Uma língua que se reorganiza, sem deixar de evoluir

A história do k, do w e do y no alfabeto português é um bom exemplo de como as regras ortográficas de uma língua não são fixas nem eternas — resultam de decisões humanas, tomadas em momentos históricos específicos, e podem ser revistas décadas mais tarde, à medida que a própria língua e o seu uso real evoluem.

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